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domingo, 28 de dezembro de 2025

Roma Antiga: O Surgimento da República


O período da República Romana teve início tradicionalmente em 509 a.C., após a expulsão do último rei, Tarquínio, o Soberbo. Esse novo regime marcou uma ruptura simbólica com a monarquia e foi fundamentado na rejeição ao poder vitalício e hereditário. A República se baseava na ideia de que o governo deveria ser exercido por magistrados eleitos, com mandatos limitados e responsabilidade coletiva, ainda que restrita à elite aristocrática.

Segundo as fontes antigas, como Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso, a República surgiu de uma revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto, que teria proclamado o fim da realeza e instituído o consulado. Os primeiros cônsules assumiram funções antes concentradas no rei, mas agora divididas e controladas mutuamente. Esse sistema visava impedir o retorno da tirania e garantir maior equilíbrio político.

Do ponto de vista institucional, a República não foi uma democracia plena, mas um regime oligárquico. O Senado, composto por membros das famílias patrícias, tornou-se o principal órgão de orientação política. Assembleias populares existiam, mas sua influência era limitada e desigual. Ao longo do tempo, conflitos entre patrícios e plebeus levariam à criação de novas magistraturas, como o Tribunato da Plebe, ampliando gradualmente a participação política.

A arqueologia contribui para uma compreensão mais realista desse processo. Evidências indicam que a transição entre monarquia e república foi gradual, e não uma ruptura súbita. O final do século VI e o início do V a.C. mostram continuidade nas práticas urbanas, religiosas e administrativas. Estruturas como o Fórum Romano continuaram a ser utilizadas e adaptadas, sugerindo que as mesmas elites permaneceram no poder sob novas formas institucionais.

Assim, o surgimento da República deve ser entendido tanto como uma mudança política quanto como uma construção ideológica. A rejeição aos reis tornou-se um elemento central da identidade romana, usada para legitimar o novo regime. A combinação entre tradição literária e evidências arqueológicas revela que a República nasceu de um processo complexo, marcado por disputas internas, adaptação institucional e pela redefinição do poder em Roma.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • BEARD, Mary. SPQR: Uma História da Roma Antiga.

  • FLOWER, Harriet. Roman Republics. Princeton University Press.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Roma Antiga: O Fim da Monarquia


O fim da monarquia romana é tradicionalmente datado de 509 a.C., marcando a transição para a República. Segundo a tradição, Roma havia sido governada por sete reis desde sua fundação, mas o último deles, Tarquínio, o Soberbo, teria levado o sistema ao colapso por meio de um governo autoritário, violento e centralizador. Esse momento é apresentado pelas fontes antigas como um ponto de ruptura decisivo, no qual os romanos rejeitaram definitivamente o poder vitalício concentrado em um único indivíduo.

As narrativas históricas, especialmente as de Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso, atribuem a queda da monarquia a uma crise moral e política. O episódio mais famoso é o estupro de Lucrécia por Sexto Tarquínio, filho do rei, que teria provocado uma revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto. A indignação coletiva resultou na expulsão dos Tarquínios e no juramento de que Roma jamais voltaria a ser governada por reis. Embora dramaticamente construída, essa narrativa serviu para legitimar o novo regime republicano.

Do ponto de vista político, o fim da monarquia não significou o fim das elites no poder, mas sim uma reorganização institucional. As funções do rei foram distribuídas entre magistrados anuais, como os cônsules, e reforçadas por órgãos coletivos, como o Senado. Essa mudança reduziu o risco da tirania individual e criou mecanismos de controle e alternância no poder, ainda que restritos à aristocracia patrícia.

A arqueologia oferece uma leitura mais cautelosa e menos moralizante do processo. Escavações indicam que, no final do século VI a.C., Roma passou por intensas transformações urbanas e sociais, com forte influência etrusca. Obras como a Cloaca Máxima, o Templo de Júpiter Ótimo Máximo e a reorganização do Fórum sugerem um poder central forte, cuja queda pode ter sido menos abrupta do que descrevem as fontes, talvez resultado de disputas internas entre elites.

Assim, a imagem do fim da monarquia como uma revolução popular imediata é hoje vista como parcialmente simbólica. A historiografia moderna entende esse período como uma transição gradual, marcada por conflitos políticos, redefinições institucionais e pela construção de uma memória republicana antimonárquica. A monarquia romana, mais do que simplesmente derrubada, foi reinterpretada como um passado a ser rejeitado, servindo de fundamento ideológico para a nova República.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • BEARD, Mary. SPQR: Uma História da Roma Antiga.

  • FLOWER, Harriet. Roman Republics. Princeton University Press.ue eu crie?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Roma Antiga: Os Reis Lendários


A Roma Antiga, segundo a tradição, foi governada por sete reis durante o período monárquico, que teria durado de 753 a 509 a.C.. Essa fase inicial da história romana combina elementos lendários e históricos, transmitidos principalmente por autores como Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso. Os reis não formavam uma dinastia contínua, mas eram escolhidos entre a elite, exercendo funções políticas, militares, religiosas e judiciais. A monarquia romana lançou as bases institucionais, sociais e urbanas da futura República.

O primeiro rei, Rômulo, é uma figura mítica associada à fundação de Roma, à criação do Senado e à organização inicial da sociedade. Após ele, Numa Pompílio teria dado à cidade suas principais instituições religiosas, calendários e ritos, representando um reinado pacífico e devoto. Tulo Hostílio e Anco Márcio simbolizam a expansão militar e territorial, com guerras contra cidades vizinhas e o fortalecimento das defesas de Roma. Esses quatro primeiros reis são geralmente vistos como figuras semi-lendárias, difíceis de confirmar historicamente.

Os três últimos reis — Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo — são associados à influência etrusca em Roma. A tradição atribui a eles grandes obras públicas, reformas sociais e administrativas, como a organização censitária e a divisão da população em classes. Sérvio Túlio, em especial, é lembrado por ampliar a participação política e reorganizar o exército, enquanto Tarquínio, o Soberbo, teria governado de forma autoritária, ignorando o Senado.

Do ponto de vista arqueológico, embora não seja possível confirmar a existência individual de todos os reis, há fortes evidências de que Roma passou por um grande processo de urbanização entre os séculos VII e VI a.C. Escavações revelam obras monumentais como a Cloaca Máxima, a pavimentação do Fórum Romano e o início do Templo de Júpiter Ótimo Máximo, compatíveis com a ideia de um poder central forte, provavelmente sob influência etrusca. Esses achados corroboram, em parte, as tradições sobre os últimos reis.

A imagem negativa da monarquia, especialmente associada a Tarquínio, o Soberbo, foi amplificada durante a República, que se definiu ideologicamente como oposta à tirania. Assim, os reis de Roma devem ser compreendidos como figuras situadas entre mito, memória coletiva e realidade histórica. A arqueologia confirma a existência de uma Roma governada por chefes poderosos, enquanto a historiografia antiga moldou essas figuras para explicar e legitimar a transição para o regime republicano.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • GRANT, Michael. História de Roma.

  • BEARD, Mary. SPQR: Uma História da Roma Antiga.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Roma Antiga: Tarquínio, o Soberbo

Tarquínio, o Soberbo ( Lucius Tarquinius Superbus ), foi o sétimo e último rei de Roma, governando tradicionalmente entre 535 e 509 a.C.. Segundo a tradição romana, ele chegou ao poder de forma violenta, assassinando seu sogro, o rei Sérvio Túlio, e governou como um tirano, sem consultar o Senado. Seu reinado marca o fim da Monarquia Romana e o início da República, sendo lembrado principalmente pelo autoritarismo, pela centralização do poder e pelo desprezo às instituições tradicionais.

As fontes literárias antigas, sobretudo Tito Lívio, Dionísio de Halicarnasso e Cícero, descrevem Tarquínio como um governante cruel e arrogante, símbolo da tirania que Roma jamais deveria tolerar novamente. A narrativa mais famosa ligada à sua queda envolve o estupro de Lucrécia por seu filho, Sexto Tarquínio, episódio que teria provocado uma revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto, culminando na expulsão da família real e na abolição da monarquia em 509 a.C.

Do ponto de vista arqueológico, embora não seja possível confirmar os episódios pessoais narrados pelas fontes, há evidências de intensa atividade construtiva em Roma no final do século VI a.C., período associado a Tarquínio, o Soberbo. Obras monumentais como o Templo de Júpiter Ótimo Máximo, no Capitólio, e o desenvolvimento da Cloaca Máxima indicam um poder central forte, com influência etrusca, o que coincide com a tradição de que os últimos reis romanos tinham origem ou forte ligação etrusca.

A arqueologia, portanto, não confirma a imagem puramente negativa transmitida pela tradição literária, sugerindo que Tarquínio pode ter sido um governante eficiente do ponto de vista administrativo e urbano. A figura do “tirano” teria sido, ao menos em parte, uma construção ideológica da República nascente, interessada em justificar a rejeição definitiva à monarquia. Assim, Tarquínio, o Soberbo, permanece como uma figura histórica situada entre o fato, o mito e a propaganda política.


📚 Bibliografia básica

  • LÍVIO, Tito. Ab Urbe Condita, Livro I.

  • DIONÍSIO DE HALICARNASSO. Antiguidades Romanas.

  • CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome. Routledge, 1995.

  • GRANT, Michael. História de Roma. Civilização Brasileira.

  • WALLACE-HADRILL, Andrew. Rome’s Cultural Revolution. Cambridge University Press.


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Roma Antiga: A Era dos Reis de Roma

Roma Antiga: A Era dos Reis de Roma
A monarquia na Roma Antiga foi o primeiro período da história romana e teria se estendido, segundo a tradição, de 753 a.C., data da fundação de Roma, até 509 a.C., quando o regime foi substituído pela República. Esse período é marcado pela forte presença de elementos lendários, especialmente nas narrativas sobre a origem da cidade e seus primeiros governantes. A monarquia romana foi influenciada por povos vizinhos, como os latinos, os sabinos e, mais tarde, os etruscos, que contribuíram para a formação política, cultural e religiosa de Roma.

O rei (rex) era a principal autoridade do Estado romano, acumulando funções políticas, militares, judiciais e religiosas. Ele comandava o exército, presidia os tribunais, aplicava as leis e atuava como sumo sacerdote, garantindo a relação adequada entre a cidade e os deuses. Apesar de seu grande poder, o rei não governava sozinho: ele era assessorado pelo Senado, composto pelos chefes das famílias patrícias, que exercia influência significativa nas decisões mais importantes.

O Senado, durante a monarquia, tinha caráter consultivo, mas sua autoridade moral era elevada. Além de aconselhar o rei, cabia-lhe indicar um interrex nos períodos de transição entre reinados, responsável por organizar a escolha do novo monarca. O rei não herdava automaticamente o poder; sua nomeação envolvia a aprovação do Senado e a ratificação da Assembleia Curiata, formada pelos cidadãos organizados em cúrias, o que conferia certa legitimidade política ao regime.

A sociedade romana desse período era fortemente hierarquizada. No topo estavam os patrícios, descendentes das famílias fundadoras e detentores dos principais direitos políticos e religiosos. Abaixo deles encontravam-se os plebeus, que incluíam pequenos proprietários, comerciantes e artesãos, com direitos limitados. Havia ainda os clientes, ligados aos patrícios por relações de dependência e proteção, e os escravizados, que não possuíam direitos civis.

Tradicionalmente, Roma teria sido governada por sete reis, desde Rômulo, o fundador lendário da cidade, até Tarquínio, o Soberbo, último monarca. O fim da monarquia ocorreu devido ao caráter cada vez mais autoritário do poder real, especialmente sob os reis ettruscos, o que gerou descontentamento entre a aristocracia patrícia. A expulsão de Tarquínio, em 509 a.C., levou à instauração da República, um novo sistema político que buscava limitar o poder individual e ampliar a participação da elite romana no governo.

Bibliografia – Monarquia na Roma Antiga

BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma Antiga. São Paulo: Planeta, 2016.

CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars (c. 1000–264 BC). Londres: Routledge, 1995.

GRIMAL, Pierre. A civilização romana. Lisboa: Edições 70, 2009.

LIVIO, Tito. História de Roma: Livros I–V. Tradução de Paulo Matos Peixoto. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

MOMMSEN, Theodor. História de Roma. Rio de Janeiro: Contraponto, 2010.

SCULLARD, H. H. From the Gracchi to Nero: A History of Rome from 133 BC to AD 68. Londres: Routledge, 2001.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Império Romano - Imperador Tibério

Imperador Tibério
Quando Jesus Cristo foi crucificado o Imperador que reinava em Roma era Tiberius ou Tibério. Ele foi um imperador improvável. Filho da querida esposa de Augusto, não tinha laços de sangue com o grande monarca. Na verdade ele era filho do primeiro casamento de Lívia Drusa. Augusto era apenas seu padrasto e jamais pensou nele como o futuro imperador do Império Romano. Augusto queria em sua linha de sucessão alguns de seus netos, mas eventos do destino impediram isso. Eles morreram jovens e deixaram o velho imperador frustrado e desolado, sem herdeiros de sua própria linhagem. Quando caminhava já para seu fim ele então virou-se para Tibério e o declarou seu herdeiro político. Foi um ato feito sem nenhum prazer, fruto apenas da consideração que tinha por sua amada esposa, a companheira de muitos anos, Lívia. Na realidade Augusto não confiava muito em Tibério e não via nele nenhuma qualidade em especial para reinar em Roma. Alguns historiadores afirmam que ele tinha até certa aversão por ele, por causa de sua personalidade dura e nada simpática.

A vida, apesar da proximidade com o trono, nunca foi fácil para Tibério. Desde cedo ele foi enviado para servir em legiões romanas que lutavam em lugares distantes e inóspitos. Lá Tibério aprendeu como poucos a dureza da vida militar. Foi um homem sem luxos, que apesar de ser o filho da amada do imperador jamais gozou de muitos privilégios. Durante praticamente quarenta anos viveu na lama do serviço militar, em pleno campo de batalha. Quando subiu na hierarquia militar foi considerado por seus subordinados como um oficial rígido e disciplinador. Por não estar próximo da linha de sucessão e nem tampouco ser considerado um potencial futuro imperador romano pouco chamou atenção para si durante seus anos no exército. Também não criou inimigos no senado, uma vez que jamais foi um político, mas sim um militar. Quando Augusto finalmente adoeceu, sem herdeiros diretos ao trono, sua mãe Lívia intercedeu para que o velho Augusto escolhesse Tibério como sucessor. A campanha em favor dele surtiu efeito e o seu filho subiu ao poder supremo de Roma.

Ao contrário de seu padrasto que era amado pelo povo, Tibério foi um imperador cruel, duro e sanguinário. Logo no começo de seu período como imperador procurou destruir toda a oposição real e imaginária que encontrou pela frente. Implantou uma lei que punia severamente quem ousasse ofender as atitudes e a imagem do Imperador Romano. A Lei da Lesa Majestade foi implantada por todo o império e levou milhares de pessoas à morte. Tibério também resolveu nomear homens de sua estreita confiança para administrar as províncias romanas. Um deles foi Pôncio Pilatos, o governador que iria julgar e condenar Jesus Cristo a morrer na cruz. A crucificação também se tornou modelo padrão de condenação romana contra aqueles que tivessem a coragem de colocar em dúvida a supremacia do poder imperial. A menor crítica contra Tibério era vista como crime de Lesa Majestade, sendo seu autor morto na cruz, em qualquer lugar do Império.

Violento e paranóico, Tibério implantou um regime de terror em Roma. Organizou um regime de exceção no Império e condenou a morte muitos cidadãos romanos. Fortaleceu o exército e com violência puniu também todos aqueles que atentassem contra a religião romana. Certa vez mandou matar um grupo de homens acusados de tentar manter um relacionamento com as virgens vestais do templo. Tibério subiu ao poder quando já estava com uma idade considerada avançada para a época (56 anos). Por essa razão em pouco tempo começou a perceber que não tinha mais força, paciência ou energia para continuar vivenciando a rede de intrigas políticas do senado romano. Também temia que fosse morto mais cedo ou mais tarde pelos senadores. Afinal se até o grande Júlio César foi apunhalado pelas costas, o que poderia se esperar de um velho militar como ele, que não tinha nenhum jeito para o mundo da politicagem em Roma. Resolveu assim se retirar da cidade, indo morar em uma luxuosa vila em Capri, no alto de uma montanha, onde administrava o império através de correspondências que iam direto de seu gabinete para a capital. Lá também se sentia seguro das inúmeras conspirações que visavam assassinar o imperador - algo comum e esperado em Roma.

Em Capri o imperador Tibério também deu vazão à sua personalidade doentia. Embora fosse casado, em arranjos familiares bem de acordo com a alta sociedade romana, se dizia na boca pequena em Roma que o imperador tinha apreciação mesmo por jovens garotos. Sim, Tibério era um homossexual pedófilo. Quando foi para Capri e se fechou em seu palácio, começou a recrutar jovens garotos da região para joguinhos eróticos em sua grande piscina. Chamando os meninos de "peixinhos" ele se tornou um velho degenerado e depravado, acima das leis e da justiça de Roma, que afinal de contas lhe devia a mais estreita obediência. Quando se aborrecia com algum "peixinho" mandava que seus soldados o atirassem do alto da montanha em direção às pedras e rochedos da costa lá embaixo. Vivendo como um degenerado em seu palácio começou a cobrar moralidade dos que seguiam a religião romana. Era um hipócrita, mas mesmo assim foi colocado como sumo sacerdote da religião oficial do Estado. No fim da vida, já meio senil, mandou o senado declarar que ele era um Deus que deveria ser venerado pelos templos do império. Quem se recusasse a reconhecer que ele era uma divindade deveria morrer imediatamente. Morreu provavelmente envenenado pela mãe de Calígula, que desejava há muitos anos que seu insano filho subisse ao poder total de Roma. Como era tradição no Império Romano os imperadores acabavam sendo assassinados por seus próprios parentes e familiares.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Império Romano - Imperador Augusto

Imperador Romano Augusto
Quando Jesus Cristo nasceu o imperador que reinava em Roma era Augusto, o divino! Claro que na realidade ele não era divino coisa nenhuma, porém Augusto foi considerado um administrador tão capaz do Império que acabou sendo aclamado como uma divindade, com direito a um lugar no panteão romano dos deuses, algo que era aceito naturalmente dentro da religião politeísta do povo romano. O próprio título que lhe foi atribuído, Augusto, significava justamente isso, o de um ser humano que ao morrer se tornou um Deus glorioso!


O mais interessante é que Augusto foi de certa maneira um imperador improvável. Ele era um patrício de família nobre, mas nada em sua infância e juventude poderia antecipar que um dia ele se tornaria um imperador romano com tanto poder! Na realidade quando nasceu Caio Otávio (seu nome real) nem sequer existiam imperadores em Roma, já que seu nascimento se deu na fase da República romana. Sua única ligação com o poder era o fato de ser o sobrinho do grande general, orador e político Júlio César. Amado pelos seus soldados e pela plebe (a grande massa empobrecida do império), Júlio César acabou centralizando praticamente todo o poder de uma Roma em seu auge. Quando se deu conta ele praticamente havia se tornado um verdadeiro rei - algo que dava arrepios no senado romano. Assim para conter sua sede de poder ele acabou sendo morto brutalmente por senadores que o esfaquearam em pleno senado nos idos de março.

A morte de Júlio César mudou a vida de Otávio para sempre. Poucos sabiam, mas ele acabou sendo nomeado o herdeiro de César em seu testamento, o que significava que ele herdaria todos os seus bens e também seu legado político. Depois de um período realmente conturbado - onde um triunvirato subiu ao poder, sendo Otávio um de seus vértices - ele finalmente se acomodou no trono em Roma, se tornando não um rei, mas sim um imperador, um novo título que iria dominar a política romana nos séculos seguintes.

Sob um ponto de vista histórico Augusto foi um bom imperador. Ele reorganizou o Estado romano, criou instrumentos para equilibrar as finanças, organizar o exército e preservar as vastas fronteiras de um Império que dominava praticamente todo o mundo ocidental conhecido. Ao cessar as invasões a povos vizinhos de Roma ele conseguiu implantar um momento histórico de paz e prosperidade em Roma. A "pax romana" significava justamente isso: havia pela primeira vez em séculos um período de paz absoluta dentro das fronteiras romanas. Uma de suas maiores satisfações foi justamente fechar as portas do templo de Marte (o Deus da guerra) em Roma, um gesto que significava que todo o império se encontrava em paz, sem guerras e nem matanças de povos inimigos.

Augusto viveu muito para um homem da antiguidade, mais de 75 anos de idade. Ele era magro, tinha hábitos moderados, comia pouco, trabalhava muito e procurava administrar toda a máquina estatal romana com honestidade, responsabilidade e justiça, premiando os melhores homens do império por suas qualidades pessoais e competência. Embora Jesus tenha sido provavelmente o maior homem que já andou na face da Terra, o imperador Augusto morreu sem saber de sua existência. Afinal de contas Jesus nasceu numa distante província romana. Além disso quando Augusto morreu o jovem Jesus era apenas um garoto de 14 anos, ainda entrando na sua puberdade.

Aliás para muitos historiadores o único grande fracasso da vida do imperador Augusto foi justamente no campo religioso. Como imperador ele foi alçado ao cargo máximo da religião romana. E ele levou muito à sério essa função, promovendo uma série de leis de moralidade a serem seguidas pelo povo de Roma. Infelizmente suas leis foram desrespeitadas por sua própria filha, Júlia, que promoveu uma orgia em um templo sagrado na cidade eterna. Horrorizado e escandalizado por sua atitude ele a baniu para sempre para uma ilha distante e isolada. Augusto não admitia ser desmoralizado como chefe da religião pagã de Roma. Depois de sua morte todos os seus esforços foram reconhecidos pelo povo de Roma, a ponto de um mês do ano ser renomeado em sua homenagem: o mês de agosto, o mês de Augusto, o Divino.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 15 de julho de 2025

Império Romano - Imperador Augusto

Augusto: O Primeiro Imperador de Roma
Embora tenha sido considerado um bom imperador, Augusto precisou banhar suas mãos em sangue, muito sangue, como era comum na Roma Antiga. Quando sufocou uma rebelião na Sicília, se viu diante de um exército de escravos. Os que tinham donos foram entregues de volta. Para aqueles que não se sabia a quem pertenciam, ele mandou matar todos. Foram crucificados de uma só vez mais de 6 mil homens de acordo com alguns dados históricos.

Augusto também mandou matar muitos senadores e figuras importantes da história da república romana, entre eles o grande orador e político Cícero. Para que a república morresse e o império surgisse no horizonte em Roma, muitas pessoas importantes da cidade foram assassinadas. Isso de certa maneira mancha a biografia desse imperador, muitas vezes retratado como um homem sensato. Na hora que foi necessário mandar para a morte seus inimigos, Augustus não pensou duas vezes.

Augusto também era considerado um homem de estatura baixa e de composição física frágil. Um dos problemas em sua biografia era a falta de conquistas militares para estampar no fórum de Roma. Ele nunca chegou nem perto de ter um histórico militar de batalhas como seu tio-avô Júlio César. Com isso foi necessário que algumas vitórias de seu general Agripa fossem creditadas como vitórias de Otávio Augusto. Ele poderia ser considerado um líder inteligente e astuto, mas nunca foi um soldado romano de legião.

Historiadores concordam que Augusto só teve dois amigos verdadeiros em vida, o general Agripa, seu amigo desde a infância e o rico mercador Mecenas. Ambos faziam parte da vida privada de Augusto, eram amigos próximos realmente, pessoas com quem ele falava abertamente e sobre todos os assuntos do império. Augusto não gostava e nem confiava em seu enteado Tibério, que iria se tornar o imperador romano com sua morte. Augusto considerava Tibério muito limitado intelectualmente, algo que iria se revelar verdadeiro nos anos seguintes à morte de primeiro imperador.

Pablo Aluísio.