domingo, 8 de novembro de 2026

A Morte da Imperatriz Sissi

A morte da imperatriz Elisabeth da Áustria, conhecida mundialmente como Sissi, ocorreu em 10 de setembro de 1898, na cidade de Genebra, na Suíça, e provocou uma enorme comoção nas cortes europeias. Aos sessenta anos, Elisabeth era uma das mulheres mais conhecidas da Europa, não apenas por sua posição como esposa do imperador Francisco José I, mas também por sua beleza, elegância e personalidade independente. Nos últimos anos de vida, entretanto, havia se afastado progressivamente das obrigações da corte de Viena. A tragédia da morte de seu único filho homem, o príncipe herdeiro Rodolfo, em 1889, havia provocado uma transformação profunda em sua existência. Desde então, Sissi passou a vestir-se frequentemente de preto, evitava compromissos oficiais e dedicava grande parte do tempo às viagens. Procurava lugares onde pudesse desfrutar de alguma privacidade, longe das cerimônias e da constante exposição pública. Em setembro de 1898, encontrava-se em Genebra, hospedada no Hotel Beau-Rivage, às margens do lago Léman. A imperatriz havia viajado acompanhada de sua dama de companhia, a condessa Irma Sztáray, e pretendia embarcar em um passeio pelo lago. Sua presença na cidade era conhecida, mas Elisabeth não gostava de receber grandes demonstrações de atenção e costumava viajar de maneira relativamente discreta. Essa preferência pela discrição, entretanto, não foi suficiente para protegê-la do atentado que mudaria definitivamente o curso de sua história.

O responsável pelo assassinato foi Luigi Lucheni, um anarquista italiano de 25 anos, nascido em Paris e criado em instituições de assistência social. Lucheni havia decidido atacar um representante da aristocracia europeia como forma de expressar seu ódio às monarquias e às desigualdades sociais. Inicialmente, pretendia atingir o príncipe Henrique de Orléans, que estava em Genebra, mas seu plano foi frustrado quando soube que o príncipe havia deixado a cidade. Ao tomar conhecimento da presença de Elisabeth, decidiu transformá-la em seu novo alvo. Na manhã de 10 de setembro, o agressor aguardou a imperatriz nas proximidades do hotel e observou seus movimentos. Elisabeth e a condessa Sztáray caminhavam em direção ao embarcadouro para tomar um barco quando Lucheni se aproximou rapidamente e golpeou a imperatriz no peito com uma lima triangular de metal, que havia sido afiada para funcionar como uma arma. O ataque foi extremamente rápido. Elisabeth caiu, mas conseguiu levantar-se com a ajuda de sua acompanhante. Inicialmente, acreditou-se que o agressor apenas havia tentado roubá-la ou derrubá-la, pois a imperatriz não demonstrava perceber a gravidade do ferimento. Lucheni foi imediatamente perseguido e detido por pessoas que presenciaram o acontecimento. Durante o interrogatório, confessou o atentado e declarou que havia escolhido a imperatriz por sua condição de integrante da aristocracia.

Depois do golpe, Elisabeth conseguiu caminhar até o barco chamado Genève, onde embarcou acompanhada da condessa Sztáray. Pouco depois, começou a sentir-se mal e perdeu os sentidos. A embarcação foi interrompida, e a imperatriz recebeu assistência de pessoas que estavam próximas. Quando suas roupas foram examinadas, percebeu-se que havia um pequeno ferimento no lado esquerdo do peito. A arma utilizada por Lucheni havia penetrado profundamente, atingindo o coração e provocando uma hemorragia interna. Como a ferida externa era relativamente pequena, a gravidade do ataque não foi imediatamente compreendida. Elisabeth foi levada de volta ao Hotel Beau-Rivage, onde médicos tentaram socorrê-la, mas já não havia possibilidade de recuperação. A imperatriz morreu pouco depois, aproximadamente uma hora após o atentado. A notícia espalhou-se rapidamente pela cidade e chegou às principais capitais europeias. O assassinato causou espanto porque Elisabeth não era conhecida por exercer uma atuação política direta e, nos últimos anos, havia procurado afastar-se das disputas de poder. Sua morte revelou a vulnerabilidade das figuras públicas diante da violência política que crescia em diferentes partes da Europa no final do século XIX. O atentado também se tornou um dos episódios mais conhecidos da história do anarquismo europeu, período em que alguns militantes passaram a utilizar assassinatos de governantes e integrantes das famílias reais como forma de protesto contra a ordem política e social.

A reação do imperador Francisco José I foi de profundo sofrimento. Os dois estavam casados havia mais de quatro décadas, embora tivessem passado longos períodos separados devido às viagens e ao afastamento de Elisabeth da corte. Quando recebeu a notícia, o imperador teria ficado profundamente abalado. A morte da esposa representou mais uma tragédia em uma família que já havia enfrentado numerosas perdas. Em 1889, o filho do casal, Rodolfo, havia sido encontrado morto em Mayerling, ao lado de Maria Vetsera, em circunstâncias que provocaram uma crise dinástica e familiar. A imperatriz também havia perdido sua primeira filha, Sofia, ainda na infância. Agora, Francisco José precisava enfrentar a morte violenta da mulher com quem havia compartilhado grande parte de sua vida. O corpo de Elisabeth foi preparado para o transporte e levado de volta a Viena, onde recebeu as homenagens oficiais. Seu funeral foi realizado com a presença de membros da família imperial, representantes de diversas monarquias europeias e autoridades políticas. A imperatriz foi sepultada na Cripta Imperial dos Capuchinhos, tradicional local de sepultamento dos Habsburgo, ao lado de outros integrantes da dinastia. O assassinato também provocou debates sobre a segurança das figuras reais e sobre a crescente ameaça representada por grupos anarquistas. Luigi Lucheni foi julgado e condenado à prisão perpétua. Anos depois, em 1910, morreu na prisão, em circunstâncias oficialmente atribuídas ao suicídio.

A morte de Sissi transformou definitivamente sua imagem na memória histórica europeia. Durante sua vida, havia sido admirada por sua beleza e pelo fascínio que exercia sobre a sociedade, mas também era conhecida por sua resistência às formalidades da corte e por seu desejo de independência. Depois do assassinato, sua figura passou a ser associada de maneira ainda mais intensa à tragédia, à solidão e à fragilidade da existência humana. Sua história ganhou novas interpretações ao longo do século XX, especialmente com a trilogia cinematográfica estrelada por Romy Schneider, iniciada em 1955, que apresentou uma versão romantizada de sua juventude e de seu casamento com Francisco José. Essas produções contribuíram para transformar Sissi em uma personagem popular em diversos países, embora tenham simplificado muitos aspectos de sua personalidade e de sua vida familiar. O episódio de Genebra também permaneceu como um dos assassinatos políticos mais conhecidos do final do século XIX, ao lado de outros atentados contra monarcas e chefes de Estado europeus. Para Francisco José, a morte de Elisabeth representou uma perda pessoal irreparável, e o imperador continuou governando até sua própria morte, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. A imperatriz havia desaparecido onze anos antes do fim de uma monarquia que entraria em colapso pouco depois. Hoje, seu túmulo em Viena e os lugares relacionados à sua trajetória continuam atraindo visitantes interessados na história dos Habsburgo. A morte de Sissi encerrou uma existência marcada por privilégios, conflitos familiares, perdas profundas e uma busca constante por liberdade, deixando para a história a lembrança de uma das mulheres mais conhecidas da Europa do século XIX.

As Tragédias na Vida da Imperatriz Sissi

A vida da imperatriz Elisabeth da Áustria, conhecida popularmente como Sissi, foi marcada por acontecimentos dolorosos que contrastavam com a imagem de beleza, riqueza e elegância associada à monarquia dos Habsburgo. Nascida em 24 de dezembro de 1837, na Baviera, Elisabeth teve uma infância relativamente livre, cercada pela natureza e distante das formalidades das grandes cortes europeias. Sua existência mudou completamente quando, aos quinze anos, foi escolhida pelo imperador Francisco José I para se tornar sua esposa. O casamento, celebrado em 1854, levou-a para Viena, onde precisou adaptar-se a um ambiente extremamente rígido, dominado por cerimônias, regras de comportamento e obrigações dinásticas. A jovem imperatriz encontrou dificuldades para lidar com a autoridade de sua sogra, a arquiduquesa Sofia, que exercia grande influência sobre a família imperial. A interferência na educação de seus filhos foi uma das primeiras fontes de sofrimento para Elisabeth, que frequentemente se sentia afastada das decisões relacionadas à maternidade. Sua primeira filha, Sofia, nasceu em 1855, seguida por Gisela, em 1856. Durante uma viagem à Hungria, em 1857, as duas meninas adoeceram, e a pequena Sofia morreu com aproximadamente dois anos de idade. A perda foi devastadora para a imperatriz, que passou a carregar um sentimento de culpa e uma profunda tristeza. A morte da criança também agravou suas dificuldades dentro da corte, pois Elisabeth sentia que não havia conseguido proteger a própria filha. Esse acontecimento representou uma das primeiras grandes tragédias de sua vida e contribuiu para o afastamento emocional que, progressivamente, passou a marcar sua relação com o ambiente imperial.

Outra fonte constante de sofrimento foi sua própria dificuldade de encontrar um lugar dentro da monarquia austríaca. Embora fosse imperatriz, Elisabeth não possuía liberdade para organizar a própria rotina e precisava cumprir compromissos oficiais que frequentemente considerava sufocantes. Sua relação com Francisco José era marcada por afeto, mas os dois tinham personalidades e prioridades diferentes. O imperador dedicava grande parte de sua existência aos assuntos de Estado, enquanto Sissi procurava escapar das obrigações da corte por meio de viagens e longos períodos de afastamento. A relação com a sogra continuou sendo difícil, especialmente em razão das interferências na educação dos filhos. Em 1858, nasceu Rodolfo, o tão esperado herdeiro masculino da dinastia, mas Elisabeth não conseguiu exercer plenamente a maternidade como desejava. A educação do príncipe foi conduzida segundo os rígidos princípios da corte, e sua mãe frequentemente se sentia impotente diante das decisões tomadas por outros membros da família imperial. Com o passar dos anos, Sissi passou a desenvolver uma rotina extremamente exigente de cuidados com a aparência física, exercícios, caminhadas e equitação. Seus cabelos longos exigiam horas de tratamento, e sua preocupação com a beleza tornou-se conhecida em toda a Europa. Entretanto, por trás dessa imagem pública, existia uma mulher que procurava controlar os poucos aspectos de sua vida que ainda estavam ao seu alcance. As viagens tornaram-se uma espécie de refúgio, levando-a a lugares como a Madeira, a Grécia, a Inglaterra e a Suíça. Seu afastamento da corte não significava ausência de sentimentos pela família, mas revelava sua dificuldade em conciliar a vida pessoal com as exigências de sua posição. A solidão e a insatisfação passaram a acompanhar grande parte de sua existência.

A tragédia mais devastadora da vida de Sissi ocorreu em 30 de janeiro de 1889, quando seu único filho homem, o príncipe herdeiro Rodolfo, foi encontrado morto no pavilhão de caça de Mayerling, próximo a Viena. Ao lado dele estava o corpo de sua jovem companheira, a baronesa Maria Vetsera, de apenas dezessete anos. O acontecimento provocou uma enorme comoção na Europa e atingiu profundamente a família imperial austríaca. A investigação oficial concluiu que Rodolfo havia matado Maria e depois tirado a própria vida, embora as circunstâncias do episódio tenham alimentado controvérsias e especulações ao longo das décadas. Rodolfo tinha 30 anos e ocupava uma posição fundamental na sucessão do trono dos Habsburgo. Era um homem culto, interessado em política, ciência e jornalismo, mas mantinha divergências com o ambiente conservador da corte e com algumas posições de seu pai. Para Elisabeth, a morte do filho representou uma perda praticamente insuperável. A imperatriz entrou em um período de luto profundo, passou a vestir-se frequentemente de preto e intensificou ainda mais seu afastamento da vida pública. A tragédia de Mayerling também alterou o futuro da monarquia, pois a sucessão passou para o arquiduque Carlos Luís, irmão de Francisco José, e posteriormente para seu filho, Francisco Ferdinando. A morte de Rodolfo não foi apenas uma perda familiar, mas um acontecimento de grandes consequências dinásticas. A partir daquele momento, a imagem de Sissi ficou definitivamente associada à dor materna e à figura de uma mulher que havia perdido o filho destinado a herdar o trono de um dos maiores impérios europeus.

Nos anos seguintes, Elisabeth continuou vivendo de maneira cada vez mais reservada, dedicando-se às viagens e à literatura, especialmente à poesia de Heinrich Heine, por quem demonstrava grande admiração. Em 1890, enfrentou outra perda familiar com a morte de seu cunhado, o arquiduque Carlos Luís, embora o acontecimento não tivesse para ela o mesmo significado pessoal da tragédia de Mayerling. Sua relação com Francisco José também passou por períodos de distanciamento, mas o imperador continuou demonstrando grande dedicação à esposa. Uma das características mais marcantes da vida de Sissi foi sua busca permanente por liberdade, algo difícil de alcançar para uma mulher que ocupava uma das posições mais importantes da monarquia europeia. Ela viajava frequentemente sem grandes cerimônias, procurava evitar fotografias e demonstrava crescente desconforto com a exposição pública. Sua beleza, que havia sido celebrada desde a juventude, transformou-se também em uma espécie de prisão, pois a sociedade esperava que a imperatriz preservasse permanentemente aquela aparência idealizada. Em seus últimos anos, Elisabeth tornou-se ainda mais introspectiva e passou a evitar compromissos oficiais sempre que possível. A morte de Rodolfo continuava sendo uma ferida aberta, e a imperatriz parecia encontrar nas viagens uma maneira de escapar das lembranças dolorosas. Sua existência foi marcada por uma sucessão de perdas, conflitos familiares e dificuldades de adaptação à vida na corte. Embora tenha alcançado uma posição de enorme prestígio, nunca pareceu encontrar verdadeira tranquilidade no ambiente que deveria representar o auge de sua realização pessoal. A imagem romântica de Sissi, popularizada posteriormente pelo cinema, muitas vezes deixa em segundo plano essa trajetória complexa, na qual a riqueza e o poder não foram suficientes para impedir o sofrimento.

A última tragédia de Elisabeth ocorreu em 10 de setembro de 1898, em Genebra, na Suíça. A imperatriz estava hospedada na cidade e preparava-se para embarcar em um barco quando foi atacada pelo anarquista italiano Luigi Lucheni. O agressor utilizou uma lima afiada, com a qual atingiu seu peito, provocando uma grave lesão. Inicialmente, Elisabeth não percebeu a extensão do ferimento e conseguiu caminhar até o embarque, mas acabou desmaiando pouco depois. Apesar das tentativas de socorro, morreu ainda naquele dia, aos sessenta anos. Lucheni declarou que pretendia atacar um membro da aristocracia e havia escolhido a imperatriz como alvo ao descobrir sua presença em Genebra. O assassinato provocou indignação e tristeza em diferentes países europeus. Francisco José recebeu a notícia com profundo pesar e perdeu a esposa depois de 44 anos de casamento. O corpo de Elisabeth foi levado a Viena, onde recebeu as homenagens oficiais e foi sepultado na Cripta Imperial dos Capuchinhos, tradicional local de descanso dos membros da dinastia dos Habsburgo. Sua morte encerrou uma existência marcada por acontecimentos que pareciam contradizer a imagem de felicidade associada à realeza. A morte da primeira filha, as dificuldades na maternidade, a tragédia de Mayerling e, finalmente, o assassinato em Genebra transformaram Sissi em uma das figuras mais lembradas da história da monarquia europeia. Sua trajetória também revela que a vida dentro de uma corte imperial, apesar de cercada de luxo e privilégios, podia ser marcada por limitações pessoais, pressões familiares e profundas perdas. A imperatriz permaneceu na memória coletiva como uma personagem histórica envolta em beleza, mistério e tristeza, cuja vida foi muito mais complexa do que a imagem idealizada apresentada nas produções cinematográficas.

domingo, 1 de novembro de 2026

Imperatriz Sissi

Imperatriz Sissi
Elisabeth Amalie Eugenie, conhecida mundialmente como Sissi, nasceu em 24 de dezembro de 1837, em Munique, na Baviera, integrante da família ducal dos Wittelsbach. Filha do duque Maximiliano José da Baviera e da princesa Ludovica, cresceu em um ambiente familiar relativamente descontraído, distante das rígidas formalidades das grandes cortes europeias. Sua infância foi marcada pelo contato com a natureza, pelas viagens, pela equitação e por uma educação menos severa do que aquela normalmente oferecida às jovens destinadas a casamentos dinásticos. Essa formação contribuiu para desenvolver nela um temperamento independente e uma personalidade pouco inclinada às convenções sociais. Sua vida mudou profundamente em 1853, quando acompanhou a mãe e a irmã mais velha, Helena, a uma viagem destinada a aproximar esta última do jovem imperador Francisco José I da Áustria. O encontro, porém, tomou um rumo inesperado: o imperador apaixonou-se por Elisabeth, então com apenas quinze anos, e decidiu escolhê-la como esposa. O casamento foi celebrado em Viena, em 24 de abril de 1854, transformando a jovem bávara em imperatriz da Áustria.

A chegada de Sissi à corte vienense representou uma mudança radical em sua existência. Acostumada à liberdade de sua infância, encontrou um ambiente dominado por regras rigorosas, cerimônias intermináveis e uma etiqueta extremamente exigente. Sua principal dificuldade foi a relação com a arquiduquesa Sofia, mãe de Francisco José, mulher influente na corte e defensora de uma disciplina rígida para a família imperial. Sofia interferia diretamente na educação dos filhos de Sissi e considerava que a jovem imperatriz ainda não estava preparada para exercer plenamente suas responsabilidades maternas e políticas. Elisabeth teve quatro filhos: Sofia, Gisela, Rodolfo e Maria Valéria. A morte da primeira filha, ainda criança, durante uma viagem à Hungria, provocou grande sofrimento. Com o passar dos anos, Sissi passou a afastar-se cada vez mais da vida cerimonial de Viena, realizando longas viagens pela Europa e procurando espaços nos quais pudesse desfrutar de maior privacidade. Também desenvolveu uma preocupação extraordinária com sua aparência física, especialmente com os cabelos, que eram muito longos e exigiam horas de cuidados. Sua beleza tornou-se parte de sua imagem pública, mas também estava associada a uma disciplina pessoal rigorosa, incluindo exercícios físicos, caminhadas, equitação e controle alimentar.

Durante o reinado de Francisco José, Sissi também desempenhou um papel importante nas relações entre a monarquia austríaca e os húngaros. A Áustria havia enfrentado uma grave crise política após as revoluções de 1848, e a resistência húngara continuava sendo uma questão delicada para o Império. Elisabeth desenvolveu uma profunda simpatia pela cultura e pela língua húngaras, aprendeu o idioma e estabeleceu relações próximas com representantes da aristocracia daquele país. Sua influência contribuiu para aproximar Francisco José dos líderes húngaros durante as negociações que resultaram no Compromisso Austro-Húngaro de 1867. Esse acordo transformou o Império Austríaco na Monarquia Dual da Áustria-Hungria, com duas estruturas políticas e administrativas ligadas pela mesma dinastia e pelo mesmo soberano. Naquele ano, Francisco José e Elisabeth foram coroados rei e rainha da Hungria, em uma cerimônia realizada em Budapeste. Sissi demonstrou satisfação especial com o reconhecimento húngaro e passou a considerar a Hungria um lugar de maior liberdade pessoal. Apesar dessa participação relevante, sua atuação não deve ser confundida com a de uma governante: o poder político permanecia nas mãos do imperador, dos governos e das instituições da monarquia. Sua influência era sobretudo pessoal e diplomática, exercida por meio de relações familiares e contatos com figuras importantes da vida política.

A vida particular da imperatriz foi marcada por perdas e acontecimentos dolorosos. Em 1889, seu único filho homem, o príncipe herdeiro Rodolfo, foi encontrado morto no pavilhão de caça de Mayerling, ao lado de sua companheira, a baronesa Maria Vetsera. O episódio ficou conhecido como a Tragédia de Mayerling e provocou uma profunda crise na família imperial. As circunstâncias exatas das mortes e os detalhes do acontecimento continuam sendo objeto de estudos históricos, embora a investigação oficial da época tenha concluído que Rodolfo matou Maria Vetsera e depois tirou a própria vida. Elisabeth nunca se recuperou completamente dessa perda. Passou a vestir-se frequentemente de preto, intensificou suas viagens e tornou-se ainda mais reservada. Também escreveu poemas, interessou-se pela literatura e demonstrou admiração por autores como Heinrich Heine. A imperatriz procurava escapar da rigidez da corte e da exposição pública, viajando por lugares como a Grécia, a Suíça, a Inglaterra e a ilha da Madeira. Sua relação com Francisco José permaneceu marcada por afeto, mas os dois passaram longos períodos afastados. O imperador continuou profundamente ligado às responsabilidades do Estado, enquanto Elisabeth buscava uma existência independente, distante das obrigações cotidianas da monarquia. Assim, a imagem pública da mulher bela e elegante escondia uma existência pessoal atravessada pela solidão, pelo luto e pela dificuldade de adaptação à vida imperial.

O fim de Sissi ocorreu em 10 de setembro de 1898, em Genebra, na Suíça. Durante uma caminhada às margens do lago Léman, a imperatriz foi atacada pelo anarquista italiano Luigi Lucheni, que a golpeou no peito com uma lima afiada. Inicialmente, Elisabeth não percebeu a gravidade do ferimento e conseguiu continuar caminhando, mas acabou desmaiando e morreu pouco depois. O assassinato provocou comoção em toda a Europa, pois a imperatriz era uma das figuras mais conhecidas das monarquias do continente. Seu corpo foi levado a Viena e sepultado na Cripta Imperial dos Capuchinhos, tradicional local de sepultamento da dinastia dos Habsburgo. Nas décadas seguintes, sua história foi transformada em tema de livros, filmes, peças teatrais e produções televisivas. A famosa trilogia cinematográfica estrelada por Romy Schneider, iniciada em 1955, ajudou a consolidar uma imagem romântica de Sissi, apresentando-a como uma jovem espontânea que enfrentava as limitações de uma corte conservadora. Essa representação, embora tenha contribuído para sua popularidade, simplificou aspectos mais complexos de sua personalidade e de sua trajetória. Atualmente, Elisabeth é lembrada tanto por sua beleza e pelo fascínio que exerceu sobre o público quanto por sua relação difícil com as obrigações da monarquia, sua aproximação com a Hungria e sua busca permanente por liberdade. Sua vida permite compreender não apenas a intimidade de uma família imperial, mas também as tensões políticas, sociais e culturais que marcaram a Europa na segunda metade do século XIX.

Sissi

Esse foi o primeiro filme de uma trilogia que fez muito sucesso na década de 1950. Os filmes, todos graciosos, até hoje são lembrados com carinho pelos que apreciam a era do cinema clássico. E o mais interessante é que a história contada é das mais lembrada da monarquia europeia. Elisabeth "Sissi" da Áustria foi um ícone da moda, do estilo e da elegância em sua época. Ela se casou muito cedo com o imperador Francisco José (Franz Josef) e por ser bela e jovem causou uma grande onda de admiração por toda a Europa, entre as casas reais. Esse filme conta os primeiros passos de Sissi, antes dela se tornar imperatriz do império Austro-Húngaro. Quando o filme começa ela é apenas uma adolescente, mal saída dos anos de infância. Seu maior prazer é participar de caças ao lado do pai pelos bosques da região onde mora. Sua mãe era mais austera, disciplinadora, mas seu pai era um tipo bonachão e boa praça. Ela o adorava.

Então surge um convite para visitar a corte em Viena. O jovem imperador Francisco José estava na idade de se casar, por isso todas as moças nobres do império eram potenciais candidatas a esse casamento imperial. No caso de Sissi ela era considerada muito nova. Por isso foi apenas como acompanhante de sua mãe e sua irmã mais velha, essa considerada a noiva ideal para o imperador. Porém é a tal coisa, o coração tem razões que a própria razão desconhece. O imperador ficou fascinado não pela irmã mais velha de Sissi, mas sim por ela, que acabou encontrando casualmente no meio da natureza (ela estava pescando na ocasião, vejam só!). O roteiro desse primeiro filme então se concentra na viagem de Sissi até Viena, no encontro casual com o jovem imperador, as primeiras impressões, o surgimento do amor entre eles e finalmente a grande cerimônia de casamento. Um bela filme, sem dúvida. E mais preciso historicamente do que muita gente pensa por aí.

Sissi (Sissi, Austria, 1955) Direção: Ernst Marischka / Roteiro: Ernst Marischka / Elenco: Romy Schneider, Karlheinz Böhm, Magda Schneider / Sinopse: Primeiro filme que conta a história da imperatriz da Austria Sissi (Elisabeth Amalie Eugenie von Bayern, 1837 - 1898). Na época uma mera adolescente que vai acompanhar sua irmã mais velha e sua mãe até a corte em Viena, onde acaba se apaixonando pelo jovem imperador Francisco José.

Pablo Aluísio.

A Imperatriz Sissi

A Imperatriz Sissi
Elisabeth Amalie Eugenie von Bayern ou como ficou conhecida na história, a imperatriz Sissi, é uma das figuras históricas mais interessantes do século XIX. Ela foi imortalizada pelo cinema numa série de três filmes estrelados pela atriz Romy Schneider. Os filmes são marcantes, belíssimos de se assistir, com produção classe A e muito glamour, mas na verdade apenas tangenciam a história da verdadeira Sissi. De fato ele foi uma das mais belas imperatrizes da Europa, foi um marco no mundo da moda e da elegância, sua corte foi seguramente uma das mais luxuosas da história, porém havia também seu lado humano com diversos dramas pessoais.

Sissi era extremamente paranoica com sua aparência pessoal, a tal ponto de muitos dentro do palácio chamarem ela de louca. A imperatriz não comia comidas sólidas, com medo de engordar e perder sua fina cintura. Embora fosse alta para os padrões femininos da época, com mais de 1.70m de altura, ela mal passava dos 50kg. Não comia carne, nem doce. Para não ficar sem as proteínas necessárias para sobreviver ela mandava que pedaços de carne fossem triturados para que então ele tomasse apenas o caldo extraído desses pedaços. Também experimentou estranhos tratamentos de beleza para sua pele e seu longo cabelo, que era tratado por damas da corte especializadas em cuidar dele.

Na época pessoas depressivas eram ditas como pessoas melancólicas. Sissi, apesar de todo o luxo e riqueza que tinha era muito depressiva, passando por fases em que seu marido Francisco José I da Áustria pensou seriamente em levá-la para algum tratamento psicológico. Só não o fez para não causar escândalo nas monarquias da época. Para compensar e superar esses momentos de depressão Sissi se dedicou aos esportes. Primeiro comprou cavalos e passava horas cavalgando. Depois inaugurou a moda entre as realezas das longas caminhadas. Ela passava horas caminhando e para não ser reconhecida usava roupas discretas, de camponesas da época.

Sissi também tinha uma obsessão em viajar e navegar. Para falar a verdade nada era tão aborrecido em sua vida do que ficar em Viena. Assim ela pediu ao marido um barco para velejar mundo afora. O imperador, sempre preocupado com sua saúde mental, deu esse presente para ela e depois disso ela nunca mais parou de navegar. Como já havia dado herdeiros ao trono decidiu também "terceirizar" o próprio marido, dando de "presente" a ele uma atriz que admirava. Sissi foi franca com ela, queria que a atriz se tornasse amante do imperador, para que ela pudesse se ver livre das obrigações matrimoniais. Ao que tudo indica Sissi não queria mais ir para a cama com Francisco José. Achava aquilo tudo aborrecido, não gostava mesmo de sexo. Também não queria mais ter filhos pois isso iria estragar seriamente sua silhueta impecável.

Um aspecto interessante em Sissi é que ela tinha verdadeira obsessão não apenas pela beleza, mas pela juventude também. Conforme os anos foram passando ela foi ficando apavorada por perder sua juventude. A filha deu a luz ao seu neto quando Sissi tinha apenas 32 anos de idade, algo que a deixou enfurecida. Nada poderia ser mais longe do ideal de juventude eterna do que se tornar uma avó, principalmente naquele tempo. E foi justamente nessa idade, aos 32 anos, que ela decidiu que não mais iria ser vista em público, nem iria deixar ser retratada em pinturas ou quadros. Não queria ser lembrada com sua imagem de mulher madura. Também parou de sorrir. Numa época em que não havia pastas e nem escovas de dentes, a imperatriz teve inúmeros problemas dentários. E isso tirava a harmonia do conjunto da beleza de seu rosto.

Sissi morreu aos 60 anos de idade, assassinada por um anarquista enquanto caminhava em Genebra. O assassino pegou uma peça que era usada por ferreiros, afiou suas pontas e apunhalou a imperatriz em plena luz do dia, no meio da rua. Ela realmente havia se descuidado de sua segurança pessoal. Queria levar a vida de uma pessoa comum, o que era impossível para uma mulher que era imperatriz do império austro-húngaro. Depois que foi atacada, Sissi ainda foi levada para um hospital, mas chegou morta ao local. A arma branca do assassino acertou seu coração em cheio, colocando fim na vida de uma das nobres mais famosas da história.

Panlo Aluísio.

domingo, 25 de outubro de 2026

Victoria

A TV britânica traz todos os anos novas séries, todas caracterizadas por desfilar uma elegância e sofisticação que não se encontra nas séries americanas. Esse canal ITV é um dos melhores, realçando ainda mais esse tipo de característica. Depois do grande sucesso de "Downton Abbey" temos mais uma série produzida na mesma linha, só que ao invés de mostrar uma família aristocrática aqui o destaque vai para a história de uma das grandes rainhas da Inglaterra, Victoria. Ela deu nome a todo um período da história britânica (que passou a ser conhecida como Era Vitoriana), mas na série o que vemos é uma jovem de 18 anos, muito inexperiente, que se vê de repente na linha de sucessão do trono inglês.

Após a morte de seu tio ("O Rei está morto, viva o Rei!") a jovem Alexandrina assume a coroa. Ela assume o nome dinástico Victoria e começa seu reinado. No começa sua inexperiência e pouca idade começam a atrapalhar, como era previsível. Pequenas intrigas palacianas, principalmente uma fofoca envolvendo seu padrasto, acabam minando de certa maneira a sua popularidade entre os súditos. Os próprios nobres não estão muito convencidos que aquela jovenzinha pode um dia se tornar uma grande rainha. A monarquia entra assim em um momento delicado de sua história.

A rainha é interpretada pela atriz Jenna Coleman, nascida em Blackpool. No começo das filmagens os produtores até mesmo cogitaram escalar uma americana para o papel, mas seria demais para a cabeça dos ingleses ver uma ianque interpretando uma das mais queridas monarcas de sua história. Sabiamente voltaram atrás e escolheram uma atriz carismática, de nacionalidade certa, para dar vida à Victoria. Bonita, até parecida fisicamente com a rainha em seus anos de juventude, gostei muito de seu trabalho de atuação. Quem rouba as atenções porém no quesito atuação é o ator Rufus Sewell. Ele interpreta o primeiro ministro, Lord Melbourne, um político experiente, mais velho, que acaba se tornando o braço direito da jovem rainha (ela inclusive chega a nutrir uma paixão disfarçada por ele!). Enfim, desde o primeiro episódio já percebemos que essa série é realmente acima da média, para acompanhar com a devida atenção.

Victoria (Inglaterra, 2016) Direção: Oliver Blackburn, Sandra Goldbacher, Lisa James Larsson / Roteiro: Daisy Goodwin, A.N. Wilson, Guy Andrews / Elenco: Jenna Coleman, Rufus Sewell, Daniela Holtz, Adrian Schiller / Sinopse: O filme mostra os primeiros anos de reinado da Rainha Victoria (Coleman). Após a morte de seu tio, o Rei, ela se torna a nova Rainha da Inglaterra, com apenas 18 anos de idade. No começo nem seus próprios súditos, nobres em geral, conseguem confiar em seu sucesso como a nova monarca, mas aos poucos Victoria vai demonstrando seu valor no trono do império britânico.

Pablo Aluísio. 

Sua Majestade, Mrs. Brown

Sua Majestade, Mrs. Brown
Assisti pela primeira vez em 1997. Ontem resolvi rever, isso pela simples razão de que ando interessado na história da Rainha Vitória. Acontece que estou acompanhando a série "Victoria" da TV britânica, então sempre surge aquele interesse na figura histórica. Esse filme já mostra a rainha em seus últimos anos, em pleno luto pela morte do marido. A corte toda se veste de preto e há um clima de tristeza no ar. A rainha também havia se retirado de sua vida pública, preferindo viver em um palácio afastado, nos arredores da Escócia. E é justamente nesse clima de pesar que chega um novo criado, um cavalariço chamado Mr. Brown.

Ele meio que desafia a rainha a sair de seu estado melancólico. Todos os dias se coloca em frente ao palácio com a bela montaria da rainha. Isso perturba Vitória em um primeiro momento, mas depois ela cede e começa a fazer passeios a cavalo diariamente. Segundo Mr. Brown apenas o ar livre vai tirar a rainha de seu estado de miserável infelicidade. Aos poucos, como era de se supor, a monarca e seu empregado vão criando uma aproximação, uma amizade sincera entre duas pessoas que se encontram em polos opostos da sociedade inglesa. Claro que isso também começa a despertar suspeitas e ciúmes dentro da nobreza. Não demora muito e as fofocas começam a ficar mais intensas. Estariam tendo um caso amoroso?

Até hoje historiadores não chegaram a uma conclusão sobre isso. O roteiro do filme por sua vez resolveu não tomar certas liberdades com o caso, o que andou bem. Não seria de bom tom mostrar um relacionamento amoroso que nunca foi comprovado, manchando de certa forma a maneira como a rainha Vitória seria retratada no cinema. Entre tantas dúvidas históricas porém emerge um belo filme, com destaque para o elenco. Judi Dench tem o porte certo de uma rainha. Basta sua presença na tela para afastar qualquer dúvida sobre isso. Uma atriz como poucas. Já Billy Connolly também não fica atrás. A suposta rudeza de seu Mr. Brown esconde uma postura de fidelidade e lealdade inquebráveis. Enfim, um belo filme que retratou muito bem a famosa rainha Vitória que deu nome a todo um século na história do império britânico.

Sua Majestade, Mrs. Brown (Mrs Brown, Inglaterra, Irlanda, Estados Unidos, 1997) Direção: John Madden / Roteiro: Jeremy Brock / Elenco: Judi Dench, Billy Connolly, Geoffrey Palmer / Sinopse: O filme mostra a amizade que surgiu entre a rainha Vitória e seu criado Mr. Brown. Nele ela encontrou um amigo leal a quem poderia confessar seus mais íntimos pensamentos. Filme vencedor do Globo de Ouro e do BAFTA Awards na categoria de Melhor Atriz (Judi Dench). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Judi Dench), e Melhor Maquiagem.

Pablo Aluísio.

Sua Majestade, Mrs. Brown

Sua Majestade, Mrs. Brown
Até hoje os historiadores discutem a natureza do relacionamento da rainha Vitória com um de seus empregados, o Mr. Brown, que cuidava dos cavalos do palácio real. Teria sido um caso amoroso ou apenas uma amizade fraternal envolvendo uma solitária viúva e um homem que tinha a coragem de dizer tudo o que pensava para ela? É justamente a história que esse filme conta. Após a morte de seu marido, a Rainha Vitória (Judi Dench) entra em profunda depressão. Para aliviar sua dor ela acaba sendo amparada por John Brown (Billy Connolly), seu fiel cocheiro, que acaba se tornando seu grande amigo pessoal. Bom filme, muito interessante, explorando a figura de Mr. Brown, um sujeito comum que acabou virando alvo de fofocas durante a era vitoriana por causa de sua aproximação com a Rainha. Alguns historiadores defendem a tese de que havia ali algo muito maior do que a simples amizade, embora não existam provas concretas sobre isso.

Além da curiosidade histórica esse filme se destaca também pela bela atuação da atriz Judi Dench, uma dama do teatro inglês que vale qualquer ingresso. Sua atuação é sofisticada, terna e historicamente muito precisa. Um show de interpretação e bom gosto. Esse filme é um dos melhores já feitos sobre essa monarca inglesa, embora hoje em dia já existam outros filmes mostrando outras fases de sua vida e uma excelente série que inclusive já comentei aqui em nosso blog. Material, como se pode perceber, realmente não falta. O que se destaca nesse roteiro é que ele não se limita a mostrar seus grandes feitos como monarca, mas sim os aspectos mais pessoais, de sua vida privada, que a humanizam de forma maravilhosa.

Sua Majestade, Mrs. Brown (Mrs Brown, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, 1997) Direção: John Madden / Roteiro: Jeremy Brock / Elenco: Judi Dench, Billy Connolly, Geoffrey Palmer / Sinopse: O filme conta parte da história da Rainha Vitória da Inglaterra. Idosa e solitária, ela acaba criando um relacionamento muito próximo com Mr. Brown, um homem rude, que acaba conquistando sua amizade. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Judi Dench) e Melhor Maquiagem.

Pablo Aluísio.

A Jovem Rainha Vitória

A Jovem Rainha Vitória
Vitória foi uma das monarcas mais importantes da história inglesa. Seu reinado foi um dos mais longos que se tem notícia, indo de 1837 a 1901 e marcou o apogeu do império britânico. O século em que reinou ficou conhecido como "A Era Vitoriana". Tanta importância e esplendor já rendeu muitos filmes, livros e documentários mas agora com esse "A Jovem Rainha Vitória" tentou-se fazer algo diferente. Ao invés de retratar a rainha no auge de sua glória os produtores optaram por mostrar seus primeiros anos, ainda jovem e mocinha, envolvida com amores próprios da idade. Tudo embalado em uma produção digna de uma rainha - lindos cenários, muito luxo e figurinos deslumbrantes. O maior problema do filme parece ser justamente o fato de se focar em um dos períodos menos interessantes da nobre pois não há, para falar a verdade, algo realmente marcante na trama do filme. A Vitória que surge em cena está mais preocupada em arranjar um namorado e ir em bailes de gala do que qualquer outra coisa. Nenhuma intriga palaciana surge em cena e o roteiro passa longe de explorar o clima político de sua época. Além disso Vitória é uma garota do século XIX que parece ter idéias avançadas demais para o contexto histórico em que viveu. 

Os roteiristas ignoraram o fato dela ter sido uma das monarcas mais conservadoras da Inglaterra, o que certamente não se ajusta muito bem com a Vitória "moderninha" que surge em cena. O ponto positivo de "A Jovem Rainha Vitória" é certamente o seu elenco. A britânica Emily Blunt se sai bem. Sua interpretação está no tom correto, embora a corte inglesa fosse mais solene e formal da que vemos no filme. Paul Bettany também está bem, inspirado e marcando boa presença. Seu Lord Melbourne é certamente uma das melhores coisas de "The Young Victoria". Curiosamente para um filme tão britânico escalaram um estrangeiro para a direção, o canadense Jean-Marc Vallée. A escolha desagradou alguns jornalistas ingleses e eles tem certa razão em reclamar, uma vez que provavelmente um cineasta do país poderia ter um olhar mais familiar e próximo com a sua realeza britânica. De qualquer forma o produto final não é ruim. Tem sua dose de erros históricos como explicados aqui, mas como entretenimento até pode funcionar. Não é historicamente correto e macula de certa forma a história real dos fatos. Para os que gostam de produções de luxo, com muito romance e cenas de enamorados adolescentes pode até se tornar uma boa opção. Já para os que querem saber mais sobre a Rainha Vitória recomendamos mesmo uma boa visita à biblioteca mais próxima. Será mais instrutivo e esclarecedor certamente. 

A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria, Inglaterra, Alemanha, 2009) Direção: Jean-Marc Vallée / Roteiro: Julian Fellowes / Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent / Sinopse: O filme narra a adolescência e juventude de Alexandrina Victoria que se tornaria a famosa monarca inglesa Rainha Vitória. Governando durante praticamente todo um século ela reinou em uma época de ouro para o império britânico em seu auge de esplendor e glória.  

Pablo Aluísio.

Os Jovens Anos de uma Rainha

Título no Brasil: Os Jovens Anos de uma Rainha
Título Original: Mädchenjahre einer Königin
Ano de Lançamento: 1954
País: Alemanha Ocidental / Áustria
Estúdio: Carlton-Film
Direção: Ernst Marischka
Roteiro: Ernst Marischka, Georg Hurdalek
Elenco: Romy Schneider, Karlheinz Böhm, Magda Schneider, Michael Cramer, Josef Meinrad, Helmuth Schneider

Sinopse:
O filme retrata a juventude da Rainha Vitória da Inglaterra, desde sua adolescência até o momento em que assume o trono britânico. Criada sob rígido controle político e familiar, a jovem Vitória luta para afirmar sua independência em meio a conspirações da corte, disputas de poder e pressões para manipulá-la. Paralelamente, ela vive seus primeiros sentimentos amorosos, especialmente em relação ao príncipe Albert, enquanto amadurece para assumir o destino que a história lhe reservou.

Comentários: 
É um filme adorável, a tal ponto que a própria Disney comprou seus direitos para lançamento nos Estados Unidos. Nada mais adequado já que as próprias princesas da Disney foram inspiradas em contos e filmes europeus como esse. Historicamente não é nada preciso. E ninguém pediu por algo assim. Esse filme pertence a um estilo cinematográfico que os críticos da época denominaram de drama histórico romântico do pós-guerra. Depois das atrocidades da Segunda Guerra Mundial as pessoas queriam assistir a histórias como essa, romantizadas ao máximo, pura fantasia e luxo! E para Romy Schneider foi a oportunidade de sua vida pois logo após ela foi convidada para interpretar a imperatriz Sissi em uma trilogia de filmes de grande sucesso de bilheteria. Então o que temos aqui é uma película especialmente indicada para o público feminino que deseja assistir a algo leve, romântico, com cenários e figurinos luxuosos, ou seja, literalmente um sonho de princesa. Todas as jovens um dia sonharam com isso e não há nada de errado em pensar assim. Afinal pelo menos os sonhos são lindos. 

Pablo Aluísio.