domingo, 1 de novembro de 2026

Imperatriz Sissi

Imperatriz Sissi
Elisabeth Amalie Eugenie, conhecida mundialmente como Sissi, nasceu em 24 de dezembro de 1837, em Munique, na Baviera, integrante da família ducal dos Wittelsbach. Filha do duque Maximiliano José da Baviera e da princesa Ludovica, cresceu em um ambiente familiar relativamente descontraído, distante das rígidas formalidades das grandes cortes europeias. Sua infância foi marcada pelo contato com a natureza, pelas viagens, pela equitação e por uma educação menos severa do que aquela normalmente oferecida às jovens destinadas a casamentos dinásticos. Essa formação contribuiu para desenvolver nela um temperamento independente e uma personalidade pouco inclinada às convenções sociais. Sua vida mudou profundamente em 1853, quando acompanhou a mãe e a irmã mais velha, Helena, a uma viagem destinada a aproximar esta última do jovem imperador Francisco José I da Áustria. O encontro, porém, tomou um rumo inesperado: o imperador apaixonou-se por Elisabeth, então com apenas quinze anos, e decidiu escolhê-la como esposa. O casamento foi celebrado em Viena, em 24 de abril de 1854, transformando a jovem bávara em imperatriz da Áustria.

A chegada de Sissi à corte vienense representou uma mudança radical em sua existência. Acostumada à liberdade de sua infância, encontrou um ambiente dominado por regras rigorosas, cerimônias intermináveis e uma etiqueta extremamente exigente. Sua principal dificuldade foi a relação com a arquiduquesa Sofia, mãe de Francisco José, mulher influente na corte e defensora de uma disciplina rígida para a família imperial. Sofia interferia diretamente na educação dos filhos de Sissi e considerava que a jovem imperatriz ainda não estava preparada para exercer plenamente suas responsabilidades maternas e políticas. Elisabeth teve quatro filhos: Sofia, Gisela, Rodolfo e Maria Valéria. A morte da primeira filha, ainda criança, durante uma viagem à Hungria, provocou grande sofrimento. Com o passar dos anos, Sissi passou a afastar-se cada vez mais da vida cerimonial de Viena, realizando longas viagens pela Europa e procurando espaços nos quais pudesse desfrutar de maior privacidade. Também desenvolveu uma preocupação extraordinária com sua aparência física, especialmente com os cabelos, que eram muito longos e exigiam horas de cuidados. Sua beleza tornou-se parte de sua imagem pública, mas também estava associada a uma disciplina pessoal rigorosa, incluindo exercícios físicos, caminhadas, equitação e controle alimentar.

Durante o reinado de Francisco José, Sissi também desempenhou um papel importante nas relações entre a monarquia austríaca e os húngaros. A Áustria havia enfrentado uma grave crise política após as revoluções de 1848, e a resistência húngara continuava sendo uma questão delicada para o Império. Elisabeth desenvolveu uma profunda simpatia pela cultura e pela língua húngaras, aprendeu o idioma e estabeleceu relações próximas com representantes da aristocracia daquele país. Sua influência contribuiu para aproximar Francisco José dos líderes húngaros durante as negociações que resultaram no Compromisso Austro-Húngaro de 1867. Esse acordo transformou o Império Austríaco na Monarquia Dual da Áustria-Hungria, com duas estruturas políticas e administrativas ligadas pela mesma dinastia e pelo mesmo soberano. Naquele ano, Francisco José e Elisabeth foram coroados rei e rainha da Hungria, em uma cerimônia realizada em Budapeste. Sissi demonstrou satisfação especial com o reconhecimento húngaro e passou a considerar a Hungria um lugar de maior liberdade pessoal. Apesar dessa participação relevante, sua atuação não deve ser confundida com a de uma governante: o poder político permanecia nas mãos do imperador, dos governos e das instituições da monarquia. Sua influência era sobretudo pessoal e diplomática, exercida por meio de relações familiares e contatos com figuras importantes da vida política.

A vida particular da imperatriz foi marcada por perdas e acontecimentos dolorosos. Em 1889, seu único filho homem, o príncipe herdeiro Rodolfo, foi encontrado morto no pavilhão de caça de Mayerling, ao lado de sua companheira, a baronesa Maria Vetsera. O episódio ficou conhecido como a Tragédia de Mayerling e provocou uma profunda crise na família imperial. As circunstâncias exatas das mortes e os detalhes do acontecimento continuam sendo objeto de estudos históricos, embora a investigação oficial da época tenha concluído que Rodolfo matou Maria Vetsera e depois tirou a própria vida. Elisabeth nunca se recuperou completamente dessa perda. Passou a vestir-se frequentemente de preto, intensificou suas viagens e tornou-se ainda mais reservada. Também escreveu poemas, interessou-se pela literatura e demonstrou admiração por autores como Heinrich Heine. A imperatriz procurava escapar da rigidez da corte e da exposição pública, viajando por lugares como a Grécia, a Suíça, a Inglaterra e a ilha da Madeira. Sua relação com Francisco José permaneceu marcada por afeto, mas os dois passaram longos períodos afastados. O imperador continuou profundamente ligado às responsabilidades do Estado, enquanto Elisabeth buscava uma existência independente, distante das obrigações cotidianas da monarquia. Assim, a imagem pública da mulher bela e elegante escondia uma existência pessoal atravessada pela solidão, pelo luto e pela dificuldade de adaptação à vida imperial.

O fim de Sissi ocorreu em 10 de setembro de 1898, em Genebra, na Suíça. Durante uma caminhada às margens do lago Léman, a imperatriz foi atacada pelo anarquista italiano Luigi Lucheni, que a golpeou no peito com uma lima afiada. Inicialmente, Elisabeth não percebeu a gravidade do ferimento e conseguiu continuar caminhando, mas acabou desmaiando e morreu pouco depois. O assassinato provocou comoção em toda a Europa, pois a imperatriz era uma das figuras mais conhecidas das monarquias do continente. Seu corpo foi levado a Viena e sepultado na Cripta Imperial dos Capuchinhos, tradicional local de sepultamento da dinastia dos Habsburgo. Nas décadas seguintes, sua história foi transformada em tema de livros, filmes, peças teatrais e produções televisivas. A famosa trilogia cinematográfica estrelada por Romy Schneider, iniciada em 1955, ajudou a consolidar uma imagem romântica de Sissi, apresentando-a como uma jovem espontânea que enfrentava as limitações de uma corte conservadora. Essa representação, embora tenha contribuído para sua popularidade, simplificou aspectos mais complexos de sua personalidade e de sua trajetória. Atualmente, Elisabeth é lembrada tanto por sua beleza e pelo fascínio que exerceu sobre o público quanto por sua relação difícil com as obrigações da monarquia, sua aproximação com a Hungria e sua busca permanente por liberdade. Sua vida permite compreender não apenas a intimidade de uma família imperial, mas também as tensões políticas, sociais e culturais que marcaram a Europa na segunda metade do século XIX.

Sissi

Esse foi o primeiro filme de uma trilogia que fez muito sucesso na década de 1950. Os filmes, todos graciosos, até hoje são lembrados com carinho pelos que apreciam a era do cinema clássico. E o mais interessante é que a história contada é das mais lembrada da monarquia europeia. Elisabeth "Sissi" da Áustria foi um ícone da moda, do estilo e da elegância em sua época. Ela se casou muito cedo com o imperador Francisco José (Franz Josef) e por ser bela e jovem causou uma grande onda de admiração por toda a Europa, entre as casas reais. Esse filme conta os primeiros passos de Sissi, antes dela se tornar imperatriz do império Austro-Húngaro. Quando o filme começa ela é apenas uma adolescente, mal saída dos anos de infância. Seu maior prazer é participar de caças ao lado do pai pelos bosques da região onde mora. Sua mãe era mais austera, disciplinadora, mas seu pai era um tipo bonachão e boa praça. Ela o adorava.

Então surge um convite para visitar a corte em Viena. O jovem imperador Francisco José estava na idade de se casar, por isso todas as moças nobres do império eram potenciais candidatas a esse casamento imperial. No caso de Sissi ela era considerada muito nova. Por isso foi apenas como acompanhante de sua mãe e sua irmã mais velha, essa considerada a noiva ideal para o imperador. Porém é a tal coisa, o coração tem razões que a própria razão desconhece. O imperador ficou fascinado não pela irmã mais velha de Sissi, mas sim por ela, que acabou encontrando casualmente no meio da natureza (ela estava pescando na ocasião, vejam só!). O roteiro desse primeiro filme então se concentra na viagem de Sissi até Viena, no encontro casual com o jovem imperador, as primeiras impressões, o surgimento do amor entre eles e finalmente a grande cerimônia de casamento. Um bela filme, sem dúvida. E mais preciso historicamente do que muita gente pensa por aí.

Sissi (Sissi, Austria, 1955) Direção: Ernst Marischka / Roteiro: Ernst Marischka / Elenco: Romy Schneider, Karlheinz Böhm, Magda Schneider / Sinopse: Primeiro filme que conta a história da imperatriz da Austria Sissi (Elisabeth Amalie Eugenie von Bayern, 1837 - 1898). Na época uma mera adolescente que vai acompanhar sua irmã mais velha e sua mãe até a corte em Viena, onde acaba se apaixonando pelo jovem imperador Francisco José.

Pablo Aluísio.

A Imperatriz Sissi

A Imperatriz Sissi
Elisabeth Amalie Eugenie von Bayern ou como ficou conhecida na história, a imperatriz Sissi, é uma das figuras históricas mais interessantes do século XIX. Ela foi imortalizada pelo cinema numa série de três filmes estrelados pela atriz Romy Schneider. Os filmes são marcantes, belíssimos de se assistir, com produção classe A e muito glamour, mas na verdade apenas tangenciam a história da verdadeira Sissi. De fato ele foi uma das mais belas imperatrizes da Europa, foi um marco no mundo da moda e da elegância, sua corte foi seguramente uma das mais luxuosas da história, porém havia também seu lado humano com diversos dramas pessoais.

Sissi era extremamente paranoica com sua aparência pessoal, a tal ponto de muitos dentro do palácio chamarem ela de louca. A imperatriz não comia comidas sólidas, com medo de engordar e perder sua fina cintura. Embora fosse alta para os padrões femininos da época, com mais de 1.70m de altura, ela mal passava dos 50kg. Não comia carne, nem doce. Para não ficar sem as proteínas necessárias para sobreviver ela mandava que pedaços de carne fossem triturados para que então ele tomasse apenas o caldo extraído desses pedaços. Também experimentou estranhos tratamentos de beleza para sua pele e seu longo cabelo, que era tratado por damas da corte especializadas em cuidar dele.

Na época pessoas depressivas eram ditas como pessoas melancólicas. Sissi, apesar de todo o luxo e riqueza que tinha era muito depressiva, passando por fases em que seu marido Francisco José I da Áustria pensou seriamente em levá-la para algum tratamento psicológico. Só não o fez para não causar escândalo nas monarquias da época. Para compensar e superar esses momentos de depressão Sissi se dedicou aos esportes. Primeiro comprou cavalos e passava horas cavalgando. Depois inaugurou a moda entre as realezas das longas caminhadas. Ela passava horas caminhando e para não ser reconhecida usava roupas discretas, de camponesas da época.

Sissi também tinha uma obsessão em viajar e navegar. Para falar a verdade nada era tão aborrecido em sua vida do que ficar em Viena. Assim ela pediu ao marido um barco para velejar mundo afora. O imperador, sempre preocupado com sua saúde mental, deu esse presente para ela e depois disso ela nunca mais parou de navegar. Como já havia dado herdeiros ao trono decidiu também "terceirizar" o próprio marido, dando de "presente" a ele uma atriz que admirava. Sissi foi franca com ela, queria que a atriz se tornasse amante do imperador, para que ela pudesse se ver livre das obrigações matrimoniais. Ao que tudo indica Sissi não queria mais ir para a cama com Francisco José. Achava aquilo tudo aborrecido, não gostava mesmo de sexo. Também não queria mais ter filhos pois isso iria estragar seriamente sua silhueta impecável.

Um aspecto interessante em Sissi é que ela tinha verdadeira obsessão não apenas pela beleza, mas pela juventude também. Conforme os anos foram passando ela foi ficando apavorada por perder sua juventude. A filha deu a luz ao seu neto quando Sissi tinha apenas 32 anos de idade, algo que a deixou enfurecida. Nada poderia ser mais longe do ideal de juventude eterna do que se tornar uma avó, principalmente naquele tempo. E foi justamente nessa idade, aos 32 anos, que ela decidiu que não mais iria ser vista em público, nem iria deixar ser retratada em pinturas ou quadros. Não queria ser lembrada com sua imagem de mulher madura. Também parou de sorrir. Numa época em que não havia pastas e nem escovas de dentes, a imperatriz teve inúmeros problemas dentários. E isso tirava a harmonia do conjunto da beleza de seu rosto.

Sissi morreu aos 60 anos de idade, assassinada por um anarquista enquanto caminhava em Genebra. O assassino pegou uma peça que era usada por ferreiros, afiou suas pontas e apunhalou a imperatriz em plena luz do dia, no meio da rua. Ela realmente havia se descuidado de sua segurança pessoal. Queria levar a vida de uma pessoa comum, o que era impossível para uma mulher que era imperatriz do império austro-húngaro. Depois que foi atacada, Sissi ainda foi levada para um hospital, mas chegou morta ao local. A arma branca do assassino acertou seu coração em cheio, colocando fim na vida de uma das nobres mais famosas da história.

Panlo Aluísio.

domingo, 25 de outubro de 2026

Victoria

A TV britânica traz todos os anos novas séries, todas caracterizadas por desfilar uma elegância e sofisticação que não se encontra nas séries americanas. Esse canal ITV é um dos melhores, realçando ainda mais esse tipo de característica. Depois do grande sucesso de "Downton Abbey" temos mais uma série produzida na mesma linha, só que ao invés de mostrar uma família aristocrática aqui o destaque vai para a história de uma das grandes rainhas da Inglaterra, Victoria. Ela deu nome a todo um período da história britânica (que passou a ser conhecida como Era Vitoriana), mas na série o que vemos é uma jovem de 18 anos, muito inexperiente, que se vê de repente na linha de sucessão do trono inglês.

Após a morte de seu tio ("O Rei está morto, viva o Rei!") a jovem Alexandrina assume a coroa. Ela assume o nome dinástico Victoria e começa seu reinado. No começa sua inexperiência e pouca idade começam a atrapalhar, como era previsível. Pequenas intrigas palacianas, principalmente uma fofoca envolvendo seu padrasto, acabam minando de certa maneira a sua popularidade entre os súditos. Os próprios nobres não estão muito convencidos que aquela jovenzinha pode um dia se tornar uma grande rainha. A monarquia entra assim em um momento delicado de sua história.

A rainha é interpretada pela atriz Jenna Coleman, nascida em Blackpool. No começo das filmagens os produtores até mesmo cogitaram escalar uma americana para o papel, mas seria demais para a cabeça dos ingleses ver uma ianque interpretando uma das mais queridas monarcas de sua história. Sabiamente voltaram atrás e escolheram uma atriz carismática, de nacionalidade certa, para dar vida à Victoria. Bonita, até parecida fisicamente com a rainha em seus anos de juventude, gostei muito de seu trabalho de atuação. Quem rouba as atenções porém no quesito atuação é o ator Rufus Sewell. Ele interpreta o primeiro ministro, Lord Melbourne, um político experiente, mais velho, que acaba se tornando o braço direito da jovem rainha (ela inclusive chega a nutrir uma paixão disfarçada por ele!). Enfim, desde o primeiro episódio já percebemos que essa série é realmente acima da média, para acompanhar com a devida atenção.

Victoria (Inglaterra, 2016) Direção: Oliver Blackburn, Sandra Goldbacher, Lisa James Larsson / Roteiro: Daisy Goodwin, A.N. Wilson, Guy Andrews / Elenco: Jenna Coleman, Rufus Sewell, Daniela Holtz, Adrian Schiller / Sinopse: O filme mostra os primeiros anos de reinado da Rainha Victoria (Coleman). Após a morte de seu tio, o Rei, ela se torna a nova Rainha da Inglaterra, com apenas 18 anos de idade. No começo nem seus próprios súditos, nobres em geral, conseguem confiar em seu sucesso como a nova monarca, mas aos poucos Victoria vai demonstrando seu valor no trono do império britânico.

Pablo Aluísio. 

Sua Majestade, Mrs. Brown

Sua Majestade, Mrs. Brown
Assisti pela primeira vez em 1997. Ontem resolvi rever, isso pela simples razão de que ando interessado na história da Rainha Vitória. Acontece que estou acompanhando a série "Victoria" da TV britânica, então sempre surge aquele interesse na figura histórica. Esse filme já mostra a rainha em seus últimos anos, em pleno luto pela morte do marido. A corte toda se veste de preto e há um clima de tristeza no ar. A rainha também havia se retirado de sua vida pública, preferindo viver em um palácio afastado, nos arredores da Escócia. E é justamente nesse clima de pesar que chega um novo criado, um cavalariço chamado Mr. Brown.

Ele meio que desafia a rainha a sair de seu estado melancólico. Todos os dias se coloca em frente ao palácio com a bela montaria da rainha. Isso perturba Vitória em um primeiro momento, mas depois ela cede e começa a fazer passeios a cavalo diariamente. Segundo Mr. Brown apenas o ar livre vai tirar a rainha de seu estado de miserável infelicidade. Aos poucos, como era de se supor, a monarca e seu empregado vão criando uma aproximação, uma amizade sincera entre duas pessoas que se encontram em polos opostos da sociedade inglesa. Claro que isso também começa a despertar suspeitas e ciúmes dentro da nobreza. Não demora muito e as fofocas começam a ficar mais intensas. Estariam tendo um caso amoroso?

Até hoje historiadores não chegaram a uma conclusão sobre isso. O roteiro do filme por sua vez resolveu não tomar certas liberdades com o caso, o que andou bem. Não seria de bom tom mostrar um relacionamento amoroso que nunca foi comprovado, manchando de certa forma a maneira como a rainha Vitória seria retratada no cinema. Entre tantas dúvidas históricas porém emerge um belo filme, com destaque para o elenco. Judi Dench tem o porte certo de uma rainha. Basta sua presença na tela para afastar qualquer dúvida sobre isso. Uma atriz como poucas. Já Billy Connolly também não fica atrás. A suposta rudeza de seu Mr. Brown esconde uma postura de fidelidade e lealdade inquebráveis. Enfim, um belo filme que retratou muito bem a famosa rainha Vitória que deu nome a todo um século na história do império britânico.

Sua Majestade, Mrs. Brown (Mrs Brown, Inglaterra, Irlanda, Estados Unidos, 1997) Direção: John Madden / Roteiro: Jeremy Brock / Elenco: Judi Dench, Billy Connolly, Geoffrey Palmer / Sinopse: O filme mostra a amizade que surgiu entre a rainha Vitória e seu criado Mr. Brown. Nele ela encontrou um amigo leal a quem poderia confessar seus mais íntimos pensamentos. Filme vencedor do Globo de Ouro e do BAFTA Awards na categoria de Melhor Atriz (Judi Dench). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Judi Dench), e Melhor Maquiagem.

Pablo Aluísio.

Sua Majestade, Mrs. Brown

Sua Majestade, Mrs. Brown
Até hoje os historiadores discutem a natureza do relacionamento da rainha Vitória com um de seus empregados, o Mr. Brown, que cuidava dos cavalos do palácio real. Teria sido um caso amoroso ou apenas uma amizade fraternal envolvendo uma solitária viúva e um homem que tinha a coragem de dizer tudo o que pensava para ela? É justamente a história que esse filme conta. Após a morte de seu marido, a Rainha Vitória (Judi Dench) entra em profunda depressão. Para aliviar sua dor ela acaba sendo amparada por John Brown (Billy Connolly), seu fiel cocheiro, que acaba se tornando seu grande amigo pessoal. Bom filme, muito interessante, explorando a figura de Mr. Brown, um sujeito comum que acabou virando alvo de fofocas durante a era vitoriana por causa de sua aproximação com a Rainha. Alguns historiadores defendem a tese de que havia ali algo muito maior do que a simples amizade, embora não existam provas concretas sobre isso.

Além da curiosidade histórica esse filme se destaca também pela bela atuação da atriz Judi Dench, uma dama do teatro inglês que vale qualquer ingresso. Sua atuação é sofisticada, terna e historicamente muito precisa. Um show de interpretação e bom gosto. Esse filme é um dos melhores já feitos sobre essa monarca inglesa, embora hoje em dia já existam outros filmes mostrando outras fases de sua vida e uma excelente série que inclusive já comentei aqui em nosso blog. Material, como se pode perceber, realmente não falta. O que se destaca nesse roteiro é que ele não se limita a mostrar seus grandes feitos como monarca, mas sim os aspectos mais pessoais, de sua vida privada, que a humanizam de forma maravilhosa.

Sua Majestade, Mrs. Brown (Mrs Brown, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, 1997) Direção: John Madden / Roteiro: Jeremy Brock / Elenco: Judi Dench, Billy Connolly, Geoffrey Palmer / Sinopse: O filme conta parte da história da Rainha Vitória da Inglaterra. Idosa e solitária, ela acaba criando um relacionamento muito próximo com Mr. Brown, um homem rude, que acaba conquistando sua amizade. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Judi Dench) e Melhor Maquiagem.

Pablo Aluísio.

A Jovem Rainha Vitória

A Jovem Rainha Vitória
Vitória foi uma das monarcas mais importantes da história inglesa. Seu reinado foi um dos mais longos que se tem notícia, indo de 1837 a 1901 e marcou o apogeu do império britânico. O século em que reinou ficou conhecido como "A Era Vitoriana". Tanta importância e esplendor já rendeu muitos filmes, livros e documentários mas agora com esse "A Jovem Rainha Vitória" tentou-se fazer algo diferente. Ao invés de retratar a rainha no auge de sua glória os produtores optaram por mostrar seus primeiros anos, ainda jovem e mocinha, envolvida com amores próprios da idade. Tudo embalado em uma produção digna de uma rainha - lindos cenários, muito luxo e figurinos deslumbrantes. O maior problema do filme parece ser justamente o fato de se focar em um dos períodos menos interessantes da nobre pois não há, para falar a verdade, algo realmente marcante na trama do filme. A Vitória que surge em cena está mais preocupada em arranjar um namorado e ir em bailes de gala do que qualquer outra coisa. Nenhuma intriga palaciana surge em cena e o roteiro passa longe de explorar o clima político de sua época. Além disso Vitória é uma garota do século XIX que parece ter idéias avançadas demais para o contexto histórico em que viveu. 

Os roteiristas ignoraram o fato dela ter sido uma das monarcas mais conservadoras da Inglaterra, o que certamente não se ajusta muito bem com a Vitória "moderninha" que surge em cena. O ponto positivo de "A Jovem Rainha Vitória" é certamente o seu elenco. A britânica Emily Blunt se sai bem. Sua interpretação está no tom correto, embora a corte inglesa fosse mais solene e formal da que vemos no filme. Paul Bettany também está bem, inspirado e marcando boa presença. Seu Lord Melbourne é certamente uma das melhores coisas de "The Young Victoria". Curiosamente para um filme tão britânico escalaram um estrangeiro para a direção, o canadense Jean-Marc Vallée. A escolha desagradou alguns jornalistas ingleses e eles tem certa razão em reclamar, uma vez que provavelmente um cineasta do país poderia ter um olhar mais familiar e próximo com a sua realeza britânica. De qualquer forma o produto final não é ruim. Tem sua dose de erros históricos como explicados aqui, mas como entretenimento até pode funcionar. Não é historicamente correto e macula de certa forma a história real dos fatos. Para os que gostam de produções de luxo, com muito romance e cenas de enamorados adolescentes pode até se tornar uma boa opção. Já para os que querem saber mais sobre a Rainha Vitória recomendamos mesmo uma boa visita à biblioteca mais próxima. Será mais instrutivo e esclarecedor certamente. 

A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria, Inglaterra, Alemanha, 2009) Direção: Jean-Marc Vallée / Roteiro: Julian Fellowes / Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent / Sinopse: O filme narra a adolescência e juventude de Alexandrina Victoria que se tornaria a famosa monarca inglesa Rainha Vitória. Governando durante praticamente todo um século ela reinou em uma época de ouro para o império britânico em seu auge de esplendor e glória.  

Pablo Aluísio.

Os Jovens Anos de uma Rainha

Título no Brasil: Os Jovens Anos de uma Rainha
Título Original: Mädchenjahre einer Königin
Ano de Lançamento: 1954
País: Alemanha Ocidental / Áustria
Estúdio: Carlton-Film
Direção: Ernst Marischka
Roteiro: Ernst Marischka, Georg Hurdalek
Elenco: Romy Schneider, Karlheinz Böhm, Magda Schneider, Michael Cramer, Josef Meinrad, Helmuth Schneider

Sinopse:
O filme retrata a juventude da Rainha Vitória da Inglaterra, desde sua adolescência até o momento em que assume o trono britânico. Criada sob rígido controle político e familiar, a jovem Vitória luta para afirmar sua independência em meio a conspirações da corte, disputas de poder e pressões para manipulá-la. Paralelamente, ela vive seus primeiros sentimentos amorosos, especialmente em relação ao príncipe Albert, enquanto amadurece para assumir o destino que a história lhe reservou.

Comentários: 
É um filme adorável, a tal ponto que a própria Disney comprou seus direitos para lançamento nos Estados Unidos. Nada mais adequado já que as próprias princesas da Disney foram inspiradas em contos e filmes europeus como esse. Historicamente não é nada preciso. E ninguém pediu por algo assim. Esse filme pertence a um estilo cinematográfico que os críticos da época denominaram de drama histórico romântico do pós-guerra. Depois das atrocidades da Segunda Guerra Mundial as pessoas queriam assistir a histórias como essa, romantizadas ao máximo, pura fantasia e luxo! E para Romy Schneider foi a oportunidade de sua vida pois logo após ela foi convidada para interpretar a imperatriz Sissi em uma trilogia de filmes de grande sucesso de bilheteria. Então o que temos aqui é uma película especialmente indicada para o público feminino que deseja assistir a algo leve, romântico, com cenários e figurinos luxuosos, ou seja, literalmente um sonho de princesa. Todas as jovens um dia sonharam com isso e não há nada de errado em pensar assim. Afinal pelo menos os sonhos são lindos. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 11 de outubro de 2026

A Colonização do Império Britânico na Era Vitoriana

A colonização do Império Britânico durante a Era Vitoriana, período correspondente ao reinado da rainha Vitória, entre 1837 e 1901, representou uma das fases mais intensas da expansão imperial europeia. Nesse intervalo, o Reino Unido consolidou sua posição como uma das maiores potências políticas, econômicas, navais e industriais do mundo, ampliando sua influência sobre territórios na Ásia, na África, na Oceania e em outras regiões. A Revolução Industrial havia transformado profundamente a sociedade britânica, aumentando a capacidade de produção de tecidos, máquinas, armamentos e outros bens destinados aos mercados internacionais. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da navegação a vapor, das ferrovias, do telégrafo e das armas modernas facilitou a conquista e o controle de territórios distantes. O Império Britânico não era composto apenas por colônias governadas diretamente por Londres: incluía também protetorados, possessões estratégicas, territórios administrados por companhias comerciais e domínios com ampla autonomia interna. A Índia ocupava uma posição central nesse sistema, tanto por sua população e riqueza quanto por sua importância comercial e militar. Outras regiões, como o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e diversas áreas africanas, desempenhavam funções distintas na estrutura imperial. A expansão britânica era impulsionada por interesses comerciais, pela busca de matérias-primas, pelo acesso a novos consumidores e pelo controle de rotas marítimas fundamentais. Paralelamente, ideias nacionalistas e concepções de superioridade cultural foram utilizadas para justificar a dominação colonial. Assim, a Era Vitoriana tornou-se um período decisivo para a construção de um império mundial cuja influência alcançaria o século XX.

A Índia foi o principal eixo do poder britânico na Ásia e um dos territórios mais importantes para a economia e a estratégia imperial. Antes de assumir o controle direto do subcontinente, os britânicos haviam ampliado sua presença por meio da Companhia Britânica das Índias Orientais, uma organização comercial que acumulou poder econômico, militar e administrativo. A Revolta Indiana de 1857, também conhecida como Revolta dos Sipaios, começou entre soldados indianos a serviço da Companhia e rapidamente se transformou em uma rebelião de maiores proporções contra a autoridade britânica. Embora tenha sido derrotada, a revolta revelou a fragilidade do sistema de governo da Companhia e provocou uma profunda mudança institucional. Em 1858, o governo britânico transferiu formalmente a administração da Índia para a Coroa, iniciando o período conhecido como Raj Britânico. A rainha Vitória foi proclamada imperatriz da Índia em 1876, título que simbolizava a centralidade do território na identidade imperial. A administração colonial desenvolveu ferrovias, linhas telegráficas, portos e estruturas burocráticas, muitas vezes apresentadas como instrumentos de modernização. Entretanto, essas obras também serviam à movimentação de tropas, à exportação de matérias-primas e à integração da economia indiana aos interesses britânicos. A produção de algodão, chá, juta e outros produtos alimentava redes comerciais internacionais, enquanto mercadorias industriais britânicas eram vendidas nos mercados locais. O domínio colonial provocou transformações profundas na agricultura, nas relações de trabalho e nas elites administrativas, beneficiando determinados grupos e prejudicando outros. A cobrança de impostos, as mudanças na propriedade da terra e a vulnerabilidade de muitas comunidades rurais contribuíram para tensões sociais recorrentes. Apesar do controle britânico, a sociedade indiana manteve tradições culturais, religiosas e linguísticas próprias, e novas formas de educação e participação política ajudaram a formar grupos que posteriormente defenderiam reformas e independência.

A partir da segunda metade do século XIX, a África tornou-se um dos principais alvos da expansão colonial britânica. Durante séculos, a presença europeia no continente havia se concentrado sobretudo em áreas costeiras e em redes comerciais, mas, no período vitoriano, as potências europeias intensificaram a ocupação territorial do interior africano. Esse processo ficou conhecido como a Partilha da África e envolveu disputas entre o Reino Unido, a França, a Alemanha, a Bélgica, Portugal e outras nações. Os britânicos procuravam controlar regiões estratégicas para o comércio, obter matérias-primas e assegurar rotas marítimas fundamentais para suas comunicações imperiais. O Egito ganhou importância especial após a abertura do Canal de Suez, em 1869, que encurtou consideravelmente o trajeto marítimo entre a Europa e a Ásia. Em 1882, tropas britânicas ocuparam o Egito, inicialmente sob a justificativa de restaurar a ordem, mas a presença militar transformou-se em uma prolongada forma de controle político. No sul da África, os interesses britânicos estavam associados às rotas para o interior, às terras agrícolas e, posteriormente, às descobertas de diamantes e ouro. A expansão provocou guerras contra sociedades e Estados africanos que resistiam à dominação, como ocorreu nos conflitos com os zulus e nas guerras contra os bôeres, descendentes de colonos europeus estabelecidos na região. Em outras partes do continente, os britânicos estabeleceram protetorados e administrações coloniais, frequentemente recorrendo a acordos desiguais, intervenções militares e alianças com governantes locais. As fronteiras impostas pelas potências europeias nem sempre respeitaram as divisões políticas, culturais e linguísticas existentes. Por isso, a expansão imperial não deve ser entendida como uma ocupação pacífica ou uniforme: foi um processo marcado por resistência, violência, negociações e profundas transformações nas sociedades africanas.

A expansão britânica também alcançou regiões importantes da Oceania e consolidou posições estratégicas no Mediterrâneo e na Ásia. O Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia desenvolveram instituições de autogoverno ao longo do século XIX, embora a soberania britânica continuasse a fazer parte de sua estrutura política. Em 1867, a Confederação Canadense reuniu várias províncias em um domínio com governo próprio, enquanto as colônias australianas e a Nova Zelândia ampliaram gradualmente sua autonomia. Esses territórios eram diferentes das colônias administradas diretamente, pois suas populações de origem europeia dispunham de crescente participação política. Entretanto, a expansão dos assentamentos coloniais teve consequências devastadoras para muitos povos indígenas, incluindo perda de terras, deslocamentos forçados, epidemias e políticas de assimilação cultural. 

Na Ásia, além da Índia, os britânicos ampliaram sua presença na Birmânia, anexada progressivamente em campanhas realizadas ao longo do século XIX, e fortaleceram posições em áreas como Singapura, Malaca e Hong Kong. A ocupação de Hong Kong começou após a Primeira Guerra do Ópio, encerrada em 1842, quando a China foi obrigada a ceder a ilha à Grã-Bretanha. O comércio com a China, incluindo o controverso comércio de ópio, demonstrava que a expansão imperial também podia ser imposta por meio da força naval e de tratados desiguais. Em 1885, a Birmânia foi incorporada à Índia britânica, ampliando o domínio imperial no Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, portos, cabos telegráficos, ferrovias e bases navais integravam territórios dispersos em uma extensa rede comercial e militar. Embora os administradores britânicos frequentemente apresentassem sua presença como uma missão civilizadora, os interesses econômicos e estratégicos tinham importância central. A experiência colonial variava de região para região, mas envolvia, em diferentes graus, desigualdade política, exploração econômica e disputas pela terra, ao lado da introdução de novas instituições e infraestruturas.

No final da Era Vitoriana, o Império Britânico havia alcançado uma extensão extraordinária, com territórios e possessões distribuídos por todos os continentes habitados. A expressão “o império onde o sol nunca se põe” tornou-se associada à dimensão mundial de seus domínios, embora a realidade imperial fosse muito mais complexa do que essa imagem sugeria. A Grã-Bretanha obtinha vantagens comerciais e estratégicas, mas também enfrentava elevados custos militares, revoltas coloniais e dificuldades para administrar populações diversas a milhares de quilômetros de Londres. O imperialismo provocou mudanças duradouras nas economias e nas sociedades colonizadas, incluindo a expansão de determinados sistemas educacionais, a construção de ferrovias e portos e a disseminação da língua inglesa. Essas transformações, contudo, foram realizadas principalmente dentro de estruturas destinadas a atender às necessidades do domínio colonial e não significaram igualdade entre britânicos e povos submetidos. 

Ao longo do tempo, a educação moderna, o desenvolvimento de grupos profissionais e o contato com ideias liberais e nacionalistas contribuíram para o surgimento de movimentos políticos anticoloniais. Na Índia, organizações e intelectuais passaram a exigir maior participação no governo, processo que se tornaria fundamental para a luta pela independência no século XX. Na África, a resistência à ocupação assumiu diversas formas, desde guerras e revoltas até a preservação de instituições culturais e práticas comunitárias. A morte da rainha Vitória, em 1901, marcou o encerramento simbólico de uma época, mas não o fim do imperialismo britânico, que continuou durante muitas décadas. O império ainda desempenharia papel central na Primeira Guerra Mundial e na política internacional do século XX, antes de perder grande parte de suas colônias durante o processo de descolonização. Seu legado permanece visível na língua, nas instituições, nas fronteiras e nas relações econômicas de muitos países, mas também nas desigualdades, nos conflitos territoriais e nas memórias de violência associados à dominação colonial. Estudar a colonização britânica na Era Vitoriana significa, portanto, compreender tanto a ascensão de uma potência mundial quanto os custos humanos e políticos de sua expansão.

Victoria & Abdul

Victoria & Abdul 
Poucas vezes no mundo das artes se teve tanto interesse na figura da Rainha Vitória. Além de uma série popular sendo exibida atualmente na Inglaterra, temos aqui um belo filme mostrando uma história pouco conhecida da amizade da Rainha (já octogenária) com um criado indiano chamado Abdul Karim. Eles se conheceram por mero acaso, quando Abdul foi designado para presentear a Rainha, durante um banquete, com uma moeda tradicional da Índia. A monarca não deu muita bola para o presente, mas ficou impressionada e interessada na figura do indiano. A partir daí se aproximaram e uma inusitada amizade se criou entre eles.

Obviamente que a Rainha da Inglaterra ter uma aproximação assim tão de perto com um indiano, ainda mais muçulmano, criou uma série de atritos com os demais membros da família real. Vitória, no fundo uma mulher solitária, sem amigos, já com oitenta anos, sentia-se muito sozinha e amarga, principalmente pelo fato de que todas as pessoas de quem realmente gostava já tinham morrido naquela fase de sua vida. O filho, chamado por ela de Bertie, futuro Rei Eduardo VII, não passava de um homem fútil que só trazia aborrecimentos para ela. As demais filhas também não lhe traziam mais boas notícias, assim acabou sobrando para ele ter pequenos momentos agradáveis com seu servil Abdul, que era um homem inteligente que estava sempre disposto a contar e ensinar coisas para a Rainha. Ela era a Imperatriz da Índia naquele momento, mas nunca havia ido naquele distante e exótico país, tampouco conhecia sua história e riqueza cultural. Abdul acabou abrindo essas portas de conhecimento para ela.

Além de ser historicamente muito interessante, "Victoria & Abdul" ainda passeia pela vida privada e mais íntima da Rainha, a mostrando em momentos bem humanos. Ela foi a monarca que mais tempo ficou no trono na Inglaterra e deu nome a todo um século, chamado de "Era Vitoriana". Foi o auge do império britânico, com possessões e colônias em todos os lugares do mundo conhecido. Claro que em um filme assim haveria a necessidade de ter uma grande atriz interpretando a Rainha Vitória. E ela está lá, Judi Dench. Essa maravilhosa atriz já havia inclusive interpretado Vitória em "Sua Majestade, Mr. Brown" e agora retorna ao mesmo papel. Envelhecida ainda mais por uma bem feita maquiagem (que está concorrendo ao Oscar nessa categoria), ela realmente impressiona pelo talento e pela sensibilidade mostrada em cada momento do filme. Sua atuação é grandiosa. Em suma, um belo filme, um dos melhores de 2017, que inclusive não foi indicado na principal categoria (o de melhor filme do ano). Mais uma injustiça na longa lista da história do Oscar.

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha (Victoria & Abdul, Inglaterra, Estados Unidos, 2017) Direção: Stephen Frears / Roteiro: Lee Hall / Elenco: Judi Dench, Ali Fazal, Tim Pigott-Smith, Eddie Izzard / Sinopse: Baseado no livro escrito por Shrabani Basu, o filme conta a história real da amizade da Rainha Victoria com um serviçal indiano, que se tornou uma pessoa bem próxima dela em seus últimos anos de vida. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Judi Dench). Também indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Maquiagem e Cabelo (Daniel Phillips e Loulia Sheppard) e Melhor Figurino (Consolata Boyle).

Pablo Aluísio.