Joana d’Arc foi presa em 23 de maio de 1430, nos arredores de Compiègne, durante um confronto contra as forças borgonhesas, aliadas dos ingleses. Ao tentar proteger a retirada de seus homens, foi derrubada do cavalo e capturada. Diferentemente do que muitos imaginam, ela não caiu imediatamente nas mãos inglesas: foi mantida como prisioneira política pelos borgonheses, que viam nela uma valiosa moeda de troca em meio à Guerra dos Cem Anos.
Inicialmente, Joana foi levada para vários locais sob custódia borgonhesa, incluindo Beaulieu e Beaurevoir. Durante esse período, sofreu vigilância constante e humilhações, mas ainda era tratada como prisioneira nobre, devido à sua importância simbólica. Mesmo assim, temendo ser entregue aos ingleses, tentou fugir saltando de uma torre — queda que quase lhe custou a vida. Pouco tempo depois, os borgonheses a venderam aos ingleses por uma elevada soma, selando seu destino.
Transferida para Rouen, território controlado pelos ingleses, Joana passou a ser tratada com extrema dureza. Foi encarcerada em uma prisão secular, guardada por soldados ingleses, e não em um convento, como determinava o direito canônico para prisioneiras eclesiásticas. Usava correntes, era constantemente vigiada e sofreu tentativas de intimidação e assédio, segundo testemunhos posteriores. Ainda assim, manteve firme sua fé e convicção em sua missão divina.
O julgamento de Joana teve início em janeiro de 1431, presidido pelo bispo Pierre Cauchon, um aliado dos ingleses. O processo foi marcado por irregularidades graves: negação de defesa adequada, manipulação de depoimentos e pressão psicológica constante. Os juízes buscavam provar que suas visões eram heréticas ou fruto de influência demoníaca, pois condenar Joana significava também deslegitimar a coroação de Carlos VII, rei da França.
Durante os interrogatórios, Joana demonstrou inteligência notável e coragem impressionante. Respondeu com clareza a perguntas teológicas complexas, frequentemente surpreendendo seus inquisidores. Mesmo sob ameaça de tortura, recusou-se a negar suas visões. Em um momento de extremo cueiro, assinou uma abjuração, acreditando que assim salvaria a própria vida, mas ao perceber que fora enganada e continuaria presa, retirou sua retratação dias depois.
Essa decisão selou sua condenação definitiva. Considerada “relapsa” — alguém que retorna ao erro após se retratar —, Joana foi sentenciada à morte na fogueira. Na manhã de 30 de maio de 1431, foi conduzida à praça do Mercado Velho, em Rouen. Vestia um simples vestido branco, símbolo de pureza, e pediu que lhe trouxessem uma cruz, que foi improvisada com dois pedaços de madeira por um soldado comovido.
Cronistas da época relatam que Joana enfrentou a morte com dignidade comovente. Amarrada ao poste, pediu que um crucifixo fosse erguido diante de seus olhos e repetiu o nome de Jesus diversas vezes enquanto as chamas subiam. Um frade dominicano registrou que ela morreu proclamando sua fé, e muitos presentes choraram, incluindo soldados ingleses. Um deles teria dito: “Estamos perdidos; queimamos uma santa”.
Após a execução, os ingleses ordenaram que suas cinzas fossem recolhidas e lançadas no rio Sena, para impedir qualquer culto ou relíquia. Assim terminou a vida de Joana d’Arc, aos 19 anos. Décadas depois, seu julgamento foi anulado pela Igreja, e ela foi reconhecida como mártir. Sua morte cruel não apagou sua história — ao contrário, transformou-a em um dos símbolos mais duradouros de coragem, fé e resistência da humanidade.
.jpg)
História & Literatura
ResponderExcluirPablo Aluísio.