Surgimento da civilização persa
A civilização persa surgiu na região do planalto do Irã, onde tribos indo-europeias — entre elas os medos e os persas — se estabeleceram por volta do segundo milênio a.C. Inicialmente organizados em clãs nômades ou seminomádicos, esses povos compartilhavam língua e tradições comuns, vivendo da criação de gado e do cultivo agrícola limitado. Com o tempo, formaram pequenos reinos locais, sendo o mais importante deles o de Parsua (Pérsia), na atual província de Fars. Foi dessa base que despontou um líder notável, Ciro II, que unificou os persas e iniciou a expansão que daria origem ao primeiro grande império persa.
O crescimento da civilização persa foi rápido e estratégico. Ciro, o Grande, conquistou primeiro o poderoso Império Medo, estabelecendo uma fusão política das duas nações irmãs. Em seguida, expandiu-se para a Lídia, na Ásia Menor, e para o Império Neo-Babilônico, criando um vasto território que se estendia do Mediterrâneo até a Ásia Central. Seus sucessores — como Dario I — consolidaram e administraram o império com eficiência sem precedentes. Eles instituíram as satrápias (províncias administrativas), construíram estradas, padronizaram pesos e medidas e promoveram tolerância religiosa e cultural, fatores que garantiram estabilidade e prosperidade. A Pérsia tornou-se, assim, uma das maiores e mais avançadas civilizações da Antiguidade.
O declínio começou no final da dinastia aquemênida, quando conflitos internos, corrupção administrativa e revoltas regionais enfraqueceram o poder central. Esse enfraquecimento coincidiu com a ascensão militar da Macedônia sob Alexandre, o Grande. Em 330 a.C., após derrotar repetidamente o exército persa e capturar capitais como Susa e Persépolis, Alexandre pôs fim ao Império Aquemênida. Embora tenha desaparecido politicamente, a civilização persa deixou um legado duradouro na administração imperial, na arquitetura monumental, na cultura e na religião — marcando de forma profunda a história do Oriente e do mundo.
Ciro, O Grande
Ciro II, conhecido como Ciro, o Grande, foi o fundador do Império Aquemênida e uma das figuras mais admiráveis da Antiguidade. Nascido por volta de 600 a.C. na região da Pérsia, ele iniciou sua ascensão ao unificar as tribos persas e desafiar a hegemonia dos medos, que até então dominavam politicamente os povos iranianos. Sua vitória sobre o rei medo Astíages marcou o início de um novo poder regional. Ciro rapidamente se destacou não apenas como um conquistador habilidoso, mas também como um governante visionário, capaz de integrar diferentes povos sob uma mesma autoridade sem destruir suas identidades culturais.
A expansão do império sob seu comando foi extraordinária. Ciro conquistou a Lídia, um dos reinos mais ricos da Ásia Menor, e depois voltou-se contra a poderosa Babilônia, que caiu em 539 a.C. de maneira quase pacífica — fato que aumentou ainda mais sua reputação de soberano justo e humanitário. Ele permitiu que povos deportados pelos babilônios retornassem às suas terras, incluindo os judeus, que puderam reconstruir Jerusalém e o segundo Templo. Essa política de tolerância, respeito às tradições locais e administração eficiente garantiu estabilidade e prosperidade a um império multicultural que se estendia do Mediterrâneo ao atual Afeganistão.
Ciro morreu durante uma campanha militar contra tribos da Ásia Central, mas seu legado perdurou muito além de sua vida. Considerado um modelo de governante ideal, ele foi lembrado por filósofos gregos, historiadores antigos e tradições religiosas como um monarca sábio, justo e moderado. Seu famoso Cilindro de Ciro é visto por muitos estudiosos como uma das primeiras declarações de direitos e garantias sociais da história. Ao fundar um império baseado não apenas na força, mas também no respeito e na diplomacia, Ciro, o Grande, estabeleceu padrões de governo que influenciaram civilizações por milênios.
A ascensão sob Ciro, o Grande (559–530 a.C.)
Ciro II, chamado de Ciro, o Grande, é o fundador do império persa propriamente dito.
Conquistas principais de Ciro:
Derrota os medos (550 a.C.), unificando medos e persas em um único império. Conquista a Lídia (546 a.C.), rico reino da Ásia Menor.Submete as cidades gregas da Jônia.Toma a Babilônia (539 a.C.) praticamente sem luta, tornando-se um dos maiores governantes do Oriente. Ciro implementou uma política inovadora de tolerância religiosa, respeito aos costumes locais e autonomia administrativa — por isso é lembrado como um dos governantes mais justos da Antiguidade.
Ciro, Um Rei Justo
Ciro II, conhecido na história como Ciro, o Grande, foi o fundador do Império Aquemênida e uma das figuras mais influentes da Antiguidade. Nascido por volta de 600 a.C., na região da Pérsia (atual Fars, no Irã), ele era membro da dinastia aquemênida e herdou um pequeno reino governado por sua família. Com habilidade política e visão estratégica, Ciro unificou as tribos persas sob sua liderança e desafiou o domínio dos medos, que na época exerciam controle sobre os povos iranianos. Após derrotar o rei medo Astíages, ele unificou persas e medos em um único Estado, lançando as bases do futuro império.
A expansão sob Ciro foi rápida, mas marcada por sua política de respeito às culturas locais, o que garantiu lealdade e estabilidade. Ele conquistou a Lídia, rica região da Ásia Menor, derrotando o famoso rei Creso. Em seguida, voltou-se para a poderosa Babilônia, que tomou em 539 a.C. praticamente sem resistência. Seu governo na Babilônia tornou-se lendário devido à sua política de tolerância: Ciro permitiu que povos deportados pelos reis babilônios – incluindo os judeus – retornassem às suas terras de origem. Essa postura benevolente, registrada tanto em textos bíblicos quanto no famoso Cilindro de Ciro, transformou sua imagem em símbolo de governante justo e iluminado.
Ciro morreu em batalha, provavelmente durante uma campanha contra tribos nômades da Ásia Central, mas seu legado permanece monumental. Ele criou o primeiro grande império multicultural da história, baseado em administração eficiente, respeito religioso e integração entre povos distintos. Seu modelo de governo influenciou civilizações posteriores, e sua reputação atravessou os séculos – sendo reverenciado por gregos, judeus, romanos e persas. Ciro, o Grande, não foi apenas um conquistador, mas um arquiteto político cuja visão estabeleceu um novo padrão de liderança na Antiguidade.
As principais conquistas militares de Ciro II
Derrota dos medos, Conquista da Lídia, Tomada da Babilônia.
Dario I
Dario I, também conhecido como Dario, o Grande, foi um dos mais importantes governantes do Império Aquemênida, reinando de 522 a 486 a.C. Sua ascensão ocorreu após um período turbulento de disputas internas e revoltas, quando ele, pertencente a um ramo nobre da família real, conseguiu consolidar o poder ao derrotar pretendentes e rebeldes por todo o império. Dario reorganizou o governo, reforçou a autoridade central e consolidou uma vasta administração que herdara de Ciro e Cambises, transformando o império persa na mais eficiente máquina política da Antiguidade.
Seu governo ficou marcado principalmente pela profunda reforma administrativa. Dario dividiu o império em satrápias (províncias), cada uma governada por um sátrapa supervisionado por inspetores reais conhecidos como “os olhos e ouvidos do rei”. Ele padronizou moedas, pesos e medidas, criou o dárico (moeda de ouro), ampliou a famosa Estrada Real e incentivou o comércio e a circulação de informações. Dario também empreendeu grandes projetos de engenharia, como o Canal de Dario, que conectava o Nilo ao Mar Vermelho, e fundou a magnífica capital cerimonial de Persépolis, símbolo da grandeza e sofisticação persa.
Militarmente, Dario expandiu ainda mais as fronteiras, conquistando territórios na Ásia Central, no vale do Indo e no norte da África. Porém, seu reinado também enfrentou desafios sérios, especialmente as revoltas das cidades gregas da Jônia, que levaram às primeiras Guerras Médicas. A famosa Batalha de Maratona (490 a.C.) marcou uma derrota simbólica para os persas, embora o império continuasse forte. Dario morreu antes de concluir sua campanha contra os gregos, deixando ao seu filho Xerxes a tarefa de prosseguir o conflito. Seu legado, entretanto, é imenso: Dario I foi o grande organizador do império, o estadista que transformou a Pérsia em uma potência estável, rica e bem administrada, admirada até pelos povos que enfrentaram sua força.
O auge do Império Persa
O Império Aquemênida chega ao seu apogeu com:
Dario I (522–486 a.C.)
Grande administrador e estrategista, Dario transformou o império em uma máquina eficiente de governo.
Principais reformas de Dario:
Divisão do império em satrapias (províncias), com governadores locais. Criação de um sistema de estradas imperiais, incluindo a famosa Estrada Real.Implantação de um sistema monetário com a moeda dárico. Construção das capitais monumentais: Persepolis, Susã, Pasárgada.
As Conquistas do Império Persa com Dario I
Conquistas na Índia (Vale do Indo), Controle da Trácia e tentativas de dominar a Grécia, Supressão de revoltas internas.
Expansão territorial
Sob Ciro, Cambises e Dario, os persas criaram o maior império da história até então: Egito, Mesopotâmia, Palestina e Fenícia, Anatólia, Partes da Índia, Partes da Ásia Central, Trácia (próximo à Grécia). O império se estendia por mais de 7.000 km, conectando culturas e povos diferentes sob uma administração central eficiente.
Xerxes I
Também chamado de Xerxes, o Grande, reinou de 486 a 465 a.C. e foi um dos mais conhecidos monarcas do Império Aquemênida. Filho de Dario I e neto de Ciro, o Grande, ele assumiu o trono após uma transição relativamente tranquila, mas herdou um império vastíssimo que exigia constante vigilância e autoridade firme. Logo no início de seu reinado, Xerxes enfrentou revoltas no Egito e na Babilônia, que reprimiu com força para reafirmar o controle persa. Sua educação e formação o prepararam tanto para a guerra quanto para a política, mas seu nome ficaria especialmente ligado às grandes campanhas militares contra a Grécia.
O auge de sua fama — e de sua controvérsia histórica — ocorreu durante as Guerras Médicas. Determinado a concluir o plano de seu pai e subjugar as cidades gregas que haviam desafiado o poder persa, Xerxes organizou uma das maiores forças militares da Antiguidade. Conduziu seu exército através do Helesponto por uma ponte flutuante monumental e avançou pelo território grego. Conquistou Atenas e obteve vitórias importantes, como na famosa Batalha das Termópilas, onde enfrentou a resistência heroica dos espartanos. No entanto, sua frota sofreu uma derrota decisiva na Batalha de Salamina, o que marcou a virada da guerra. Depois disso, Xerxes retornou à Pérsia, deixando generais encarregados da campanha — que acabaria fracassando.
Apesar de conhecido principalmente por suas campanhas militares, Xerxes também deixou um legado interno significativo. Continuou as obras monumentais iniciadas por Dario I em Persépolis, ampliando palácios, salas de audiência e complexos cerimoniais que simbolizavam a grandiosidade imperial. Contudo, seus últimos anos foram marcados por intrigas na corte e instabilidade, culminando em seu assassinato em 465 a.C. O reinado de Xerxes I representa tanto o apogeu quanto o início das tensões internas que enfraqueceriam o Império Aquemênida. Sua figura permanece viva na história como um soberano poderoso, ambicioso e grandioso — protagonista de um dos maiores confrontos entre Oriente e Ocidente na Antiguidade.
As Guerras Médicas
As Guerras Médicas foram uma série de conflitos épicos entre o Império Persa e as cidades-estado gregas, ocorridos entre 499 e 449 a.C.. Esses confrontos marcaram profundamente a história do mundo antigo, representando o choque entre duas grandes culturas: o poder imperial persa e o espírito independente das pólis gregas
Origem dos Conflitos
Tudo começou com a Revolta Jônica (499–494 a.C.), quando cidades gregas da Ásia Menor, dominadas pelos persas, se rebelaram com o apoio de Atenas. A repressão persa foi bem-sucedida, mas Dario I jurou punir Atenas pela insolência. Esse episódio acendeu a chama da primeira guerra.
Primeira Guerra Médica (492–490 a.C.)
A grande campanha persa atingiu o auge em 490 a.C., quando as tropas de Dario desembarcaram em Maratona. Ali, os atenienses — em menor número — venceram uma batalha histórica: a Batalha de Maratona, símbolo do poder da organização hoplita. A vitória grega impediu a expansão persa e se tornou um mito cultural.
Segunda Guerra Médica (480–479 a.C.)
Sob Xerxes I, o império lançou uma invasão colossal, com um dos maiores exércitos da Antiguidade. Essa fase inclui os episódios mais famosos: Termópilas, onde o rei Leônidas e seus 300 espartanos resistiram heroicamente
A destruição de Atenas;
A virada da guerra com a vitória naval grega na Batalha de Salamina, que obrigou Xerxes a recuar; E a vitória final dos gregos em Plateia e Mícale, encerrando a invasão persa.
4. Terceira Fase (479–449 a.C.)
Depois da retirada de Xerxes, as cidades gregas — lideradas por Atenas — passaram ao contra-ataque. As batalhas continuaram na Ásia Menor e no Mediterrâneo oriental até que, por volta de 449 a.C., o Tratado de Cálias encerrou oficialmente as hostilidades. Isso diminuiu a presença persa no Egeu e fortaleceu definitivamente a Liga de Delos.
Importância Histórica
As Guerras Médicas moldaram o destino do mundo grego. Garantiram a sobrevivência da cultura helênica, permitindo o florescimento posterior da filosofia, democracia e arte clássica. Do lado persa, os conflitos revelaram o limite ocidental de seu vasto império. O embate deixou um legado de mitos, heróis e tensões culturais que continuam a fascinar até hoje
O Império sob Xerxes I (486–465 a.C.)
Gigantesca campanha contra a Grécia (Guerras Médicas), Vitórias como Termópilas, mas derrotas decisivas (Salamina, Plateia, Mícale). Essas derrotas marcam o início do desgaste militar persa.
Declínio do Império Persa
O declínio do Império Persa Aquemênida começou de forma gradual após o reinado de Xerxes I. Apesar de ainda ser uma potência vasta e rica, o império passou a enfrentar instabilidade interna, marcada por disputas sucessórias, conspirações na corte e assassinatos frequentes de reis. Muitos governantes posteriores careciam da habilidade administrativa e visão estratégica dos grandes monarcas anteriores, como Ciro e Dario. A administração central tornou-se menos eficiente, e a corrupção nas satrapias cresceu, enfraquecendo o controle sobre as províncias e abrindo espaço para revoltas regionais difíceis de conter.
Além dos problemas internos, o império teve de lidar com ameaças externas crescentes. A derrota nas Guerras Médicas debilitou o prestígio persa e incentivou a resistência das cidades gregas, especialmente Atenas e Esparta, que passaram a influenciar conflitos nas fronteiras ocidentais. Com o passar das décadas, os persas perderam gradualmente influência no Egeu e enfrentaram rebeliões sucessivas no Egito, na Babilônia e na Ásia Menor. Esses conflitos drenaram recursos e minaram a autoridade do Grande Rei, tornando o império vulnerável à expansão de novos poderes militares no Mediterrâneo.
O golpe final veio com a ascensão de Alexandre, o Grande, da Macedônia. Aproveitando-se da decadência política e militar persa, Alexandre lançou uma campanha relâmpago contra o império na década de 330 a.C. Com exércitos bem treinados e disciplina superior, os macedônios derrotaram repetidamente as forças persas, lideradas pelo último rei aquemênida, Dario III. A queda de cidades-chave como Sardes, Babilônia, Susa e, finalmente, Persépolis selou o destino do império. Assim, após quase dois séculos de domínio, o Império Persa ruiu, mas deixou um legado profundo em administração, cultura e organização imperial que influenciaria os impérios posteriores, incluindo o próprio império de Alexandre e a estrutura governamental do mundo helenístico.
5. Fatores que levaram ao declínio
Embora poderoso, o império persa começou lentamente a enfraquecer por vários motivos:
1. Excesso de território
Era um império enorme, difícil de manter unido.
Províncias distantes se rebelavam com frequência.
2. Burocracia pesada
O sistema de satrapias era eficiente, mas com o tempo surgiram: corrupção, abusos de poder, rivalidades internas.
3. Derrotas para a Grécia
As Guerras Médicas desgastaram o moral, os recursos e a imagem invencível dos persas.
4. Instabilidade sucessória
Após Xerxes, vários reis enfrentaram: golpes, assassinatos, disputas familiares. A corte tornou-se um ambiente de intrigas e conspirações.
5. Perda de prestígio militar
Os persas passaram a depender de mercenários estrangeiros.
Isso abriu espaço para o crescimento da força militar macedônica.
6. A queda definitiva: Alexandre, o Grande
O golpe final veio quando Alexandre III da Macedônia iniciou seu ataque ao império em 334 a.C. Fatores que explicam a vitória de Alexandre: Exércitos profissionais e muito bem treinados; Estratégias superiores; Rapidez e mobilidade; Satrapias que se rendiam sem lutar; Falta de unidade persa e decadência militar.
331 a.C. – Batalha de Gaugamela
O rei persa Dario III é derrotado. Alexandre entra triunfante: em Babilônia, depois em Susã, quando conquista Persepolis, Alexandree ordena que a cidade seja incendiada.
O império persa chega ao fim.
Alexandre assume o título de “Rei da Ásia”.
A Bíblia e o Império Persa:
A Bíblia retrata o Império Persa de forma geralmente muito positiva, especialmente quando comparado aos impérios anteriores — Assíria e Babilônia — que aparecem como opressores de Israel. A seguir está um panorama claro e estruturado da presença da Pérsia na narrativa bíblica:
1. O Império Persa como instrumento de Deus
Na Bíblia, a ascensão da Pérsia é vista como parte de um plano divino. O profeta Isaías chega a chamar Ciro, o Grande, de “ungido do Senhor” (Isaías 45:1), algo extraordinário, pois Ciro não era israelita.
Por que Ciro é exaltado?
Ele derrota a Babilônia (539 a.C.), que havia destruído Jerusalém. Permite que os judeus retornem à sua terra natal. Autoriza a reconstrução do Templo de Jerusalém. A Bíblia, portanto, vê Ciro não como um tirano estrangeiro, mas como um libertador.
2. O retorno do exílio babilônico
O retorno dos judeus à Judeia é o ponto mais importante da relação bíblica com a Pérsia. Livros que narram esseretorno: Esdras, Neemias, Zacarias, Daniel (parte final), Crônicas (últimos capítulos) entre outros textos menores.
Principais ações persas que aparecem na Bíblia:
Edicto de Ciro permitindo o retorno dos exilados. Financiamento persa para a reconstrução do Templo. Proteção militar durante o retorno. Nomeação de líderes judeus como Esdras e Neemias para governar localmente. A Pérsia aparece como um império que respeita a fé judaica e apoia a restauração de Jerusalém.
3. Os reis persas citados na Bíblia
Ciro, o Grande
Surge como o grande Messias, essencial para o fim do cativeiro do povo judeu na Babilônia. Ele é muitas vezes elogiado pelos profetas.
Dario I
Confirma o decreto de Ciro. Apoia a conclusão do Segundo Templo. É chamado de "homem de Deus", um novo Messias!
Xerxes I (Assuero)
Rei do livro de Ester. O enredo ocorre na corte persa. Ester se torna rainha e salva os judeus do genocídio planejado por Hamã.
Artaxerxes I
Autoriza Neemias a reconstruir os muros de Jerusalém. A Bíblia mostra os reis persas como justos, tolerantes e até protetores do povo judeu.
4. A vida judaica sob domínio persa
Os judeus desfrutaram de um período de estabilidade e autonomia: Liberdade religiosa, Administração local própria, Incentivo à reconstrução. Paz e prosperidade relativa
Esse período serviu como base para a:
consolidação da Lei, edição final de textos bíblicos, reorganização religiosa em Jerusalém. É um dos momentos mais pacíficos e favoráveis da história judaica.
5. A Pérsia no Livro de Daniel
O livro de Daniel menciona reis persas e descreve visões proféticas onde a Pérsia aparece como: O carneiro de dois chifres (representando Medos e Persas), Um grande império que será sucedido pela Grécia. A narrativa enxerga a Pérsia como parte da sequência de grandes impérios que dominarão o mundo.
6. A Perspectiva Bíblica Geral
Em resumo, a Bíblia apresenta a Pérsia como: Um império justo, Tolerante religiosamente, Favorável ao povo de Israel, Um Instrumento de libertação divina e Um período de esperança e reconstrução. Isso contrasta fortemente com: A Assíria (vista como brutal), A Babilônia (vista como opressora e pecadora). A Pérsia aparece como benigna — seu domínio marca o renascimento nacional judeu.
7. Impacto duradouro para a tradição judaica
O período persa permitiu: Reorganizar a fé judaica após o trauma do exílio. Consolidar textos bíblicos. Definir práticas como a leitura da Torá e a vida sinagogal. Estabelecer a identidade judaica pós-exílio. A influência persa também aparece: no conceito de anjos, juízo final, a ressurreição, oposição entre bem e mal, que muitos estudiosos associam ao zoroastrismo, religião predominante na Pérsia.
A Religião do Império Persa
A religião predominante do Império Persa foi o zoroastrismo, uma das mais antigas tradições monoteístas do mundo, atribuída ao profeta Zaratustra (Zoroastro). Essa religião ensinava a existência de um Deus supremo, Ahura Mazda, criador de tudo o que é bom e justo. O zoroastrismo não era apenas uma crença espiritual, mas também um sistema ético que enfatizava a prática do bem, a verdade e a retidão. O universo era visto como o palco de uma grande luta entre as forças da luz, representadas por Ahura Mazda, e as forças da escuridão, simbolizadas por Angra Mainyu (Ahriman), o espírito do mal.
Durante o período aquemênida, a religião zoroastrista não foi imposta de forma rígida; ao contrário, os imperadores persas ficaram conhecidos por sua política de tolerância religiosa, permitindo que diferentes povos mantivessem seus próprios cultos e tradições. Ainda assim, os valores zoroastristas influenciaram fortemente o funcionamento do império, guiando princípios como justiça, lealdade, honestidade e responsabilidade moral. Rituais envolvendo fogo — símbolo da pureza e da presença divina — eram especialmente importantes, e muitos santuários incluíam altares de fogo mantidos permanentemente acesos.
A influência do zoroastrismo foi profunda e ultrapassou as fronteiras persas, deixando marcas duradouras em outras tradições religiosas. Conceitos como o juízo final, o paraíso e o inferno, a ressurreição dos mortos, e a luta moral entre o bem e o mal acabaram impactando o judaísmo pós-exílico e, posteriormente, o cristianismo e o islamismo. Assim, a religião persa não apenas moldou a identidade cultural do seu vasto império, mas também contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento espiritual de grande parte do mundo antigo.
9. O legado da civilização persa
Apesar do colapso, o legado persa perdura até hoje: Modelo de administração imperial, Tolerância religiosa e étnica, Estradas, correios e infraestrutura, Arquitetura monumental (Persepolis), Cultura iraniana, que influenciou judeus, gregos e romanos. O zoroastrismo, religião que influenciou ideias posteriormente adotadas pelo judaísmo, cristianismo e islamismo (anjos, demônios, juízo final, ressurreição).
BIBLIOGRAFIA:
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→ Excelente introdução à história, sociedade e cultura persa, clara e acessível.
BIVAR, A. D. H. The History of the Persian Empire. New York: Praeger, 1973.
→ Uma síntese clássica sobre o Império Aquemênida.
COOK, J. M. The Persian Empire. London: J.M. Dent & Sons, 1983.
→ Um dos estudos padrão sobre o desenvolvimento e administração do império.
BRIANT, Pierre. From Cyrus to Alexander: A History of the Persian Empire. Winona Lake: Eisenbrauns, 2002.
→ A obra mais completa e respeitada já escrita sobre o Império Aquemênida. Indispensável.
KENT, Roland G. Old Persian: Grammar, Texts, Lexicon. New Haven: American Oriental Society, 1953.
O Império Persa:
A Dinastia Aquemênida (Ciro, Dário e Xerxes)
DAVIES, Oliver. Cyrus the Great: Conqueror and Liberator. London: Blackwell, 1999.
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→ Aborda desde a Pérsia antiga até o Irã contemporâneo.
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→ Biografia moderna sobre Xerxes I, famoso por sua guerra contra a Grécia.
Religião, Cultura e Sociedade Persa:
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→ Referência absoluta sobre o zoroastrismo, religião dominante na Pérsia antiga.
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→ Catálogo da exposição do British Museum sobre a Pérsia: riquíssimo em imagens e dados arqueológicos.
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→ Estudo especializado sobre religião e ideologia política.
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→ Obra clássica sobre a primeira capital persa fundada por Ciro.
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→ Estudo detalhado sobre Persepolis, sua arquitetura, arte e significado político.
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→ Pesquisas arqueológicas modernas do período aquemênida.
Pérsia e a Grécia (Guerras Médicas):
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→ Fonte primária essencial para o confronto entre gregos e persas.
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→ Visão moderna, equilibrada e detalhada das guerras médicas.
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→ Excelente narrativa moderna sobre a ascensão persa e a luta contra os gregos.
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→ Analisa o domínio persa sobre Judá e o período pós-exílio.
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→ Inclui o impacto da política persa na reorganização da comunidade judaica.
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→ A “pedra de Roseta” para entender o persa antigo, narrando a ascensão de Dario I.
Cyrus Cylinder. Traduções de diversas universidades (British Museum, Metropolitan Museum).
→ Documento considerado a “primeira carta de direitos humanos” (discutível academicamente).
Herodotus – Histories
→ Principais relatos gregos sobre o império.
Xenophon – Cyropaedia
→ Idealização grega da figura de Ciro.

História & Literatura
ResponderExcluirPablo Aluísio.
Os filmes quase paródicos a respeito desses povos, (300 de Esparta, por ex.) faz com que.toda essa história pareça uma piada, uma fábula jocosa.
ResponderExcluirO cinema precisa condensar séculos de história complexa em duas horas de diversão, então eu até entendo todas as adaptações simplistas que vi nesses anos todos.
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